<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><rss xmlns:atom='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' version='2.0'><channel><atom:id>tag:blogger.com,1999:blog-6967722988545203586</atom:id><lastBuildDate>Mon, 09 Nov 2009 16:54:01 +0000</lastBuildDate><title>Philosofurria</title><description>Philos - do grego Φιλοσοφία: amor, amizade + Furria - do sertanês: festa, sarau. Panorama poético e errante para provocações filosóficas e estéticas. Ensejos críticos cortados pela ética, cultura e arte. No mais limpar com as palavras os dejetos do mundo, sujar com a língua 
a pureza dos inocentes, cravar nas feridas todos os meus dentes.E daí que eu me sinto? E daí que tu te sentes?</description><link>http://philosofurria.blogspot.com/</link><managingEditor>dudabastos@yahoo.com (Duda Bastos)</managingEditor><generator>Blogger</generator><openSearch:totalResults>17</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>25</openSearch:itemsPerPage><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-6967722988545203586.post-8888148791626176226</guid><pubDate>Fri, 09 Oct 2009 16:08:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-10-23T20:56:03.079-07:00</atom:updated><title>Da crítica à observação experiencial estética.</title><description>Na probabilidade de expressões acerca de obras artísticas recorremos a forma magna das literaturas, a partir daquelas que trabalham visões escolares artísticas até publicações mais livres sem cunho erudito, ou seja, acadêmico. A frase longa que acabo de escrever bem expressa o esforço que existe em explicar consolidando argumentos, referências e muitos outros recursos para elaboração do discurso. E assim, continuo a fazer o mesmo nessas frases que prosseguem. Quase o mesmo, pois preciso modificar. Estou transtornando, revolvendo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pronto, comecei: a linha tênue e vibrante da poética, da sensibilidade inicia. Os planetas das regras e leis entram em choque. Amargedon de conceitos. Pronto: o jogo é feito. Ei-lo, viril, o discurso catártico das impressões do artista numa confabulante atividade sensorial, lúdica, louca. Minha fala meu som, minha rima, estética, verborrêica, neologista, descobriologista e...intensamente experiência estética. Hora com a memória, hora com o acervo colecionado das múltiplas referências. É deter-se, capturar pelo objeto num pormenor audível apenas para os cães. Uma linha frenética de sensação. Assim que a crítica cai sobre a visão, esta imediatamente evapora e fica o limo, a parte densa da percepção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse contexto se aplicado as variadas formas da percepção do cotidiando surgem desafiadores, inclusive para a construção de uma novidade no planeta dos ex-macacos. É de Merleau Ponty a máxima "O verdadeiro Cogito não substitui o próprio mundo pela significação mundo." Mas a carga de envolvimento e produção sensorial é deveras díficil. Mas é elegante. O ser no mundo é uma soma de reflexos? Ele pode ser tratado como tal? Não podemos nos cansar agora com teorias da significação. Dá para entender porque não é possível o caráter legalista consumir a revelação crítica. Tais quais críticos de cinema, que ao redor dos especialistas (nesse contexto são aqueles que fazem cinema) se reviram em árbitros para dizer um-algo-não-sei-o-que sobre os diversos dramas peliculares de um filme.  Mas o que lhe causa? Nada. Apenas uma sombra veloz de charme transeunte definido pela função. Supermercado de palavras. Nunca provocadora, porque no dia que forem serão uma observação experiencial estética e não mais a forma crítica estragada pelas palavras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como possuir e realizar? As vozes da sensibilidade e o acervo pessoal dão as linhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Observe:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_F1LR6ChMyrM/Ss9kVH7qRjI/AAAAAAAAAIw/ZA-Y9jShIrA/s1600-h/OgAAAK6YVyLHOlz5iJkP558-AZDpdNovX-KfGAgKNFCAnOjd8cW-TiiHjwUXUC9p5zBmevfGj6cM3M_mZztxnC0YtFEAm1T1UCDzAZ6GNFRzHTFJsj3BfvSodFjR.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 238px; height: 400px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_F1LR6ChMyrM/Ss9kVH7qRjI/AAAAAAAAAIw/ZA-Y9jShIrA/s400/OgAAAK6YVyLHOlz5iJkP558-AZDpdNovX-KfGAgKNFCAnOjd8cW-TiiHjwUXUC9p5zBmevfGj6cM3M_mZztxnC0YtFEAm1T1UCDzAZ6GNFRzHTFJsj3BfvSodFjR.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5390637593055086130" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escrevi:&lt;br /&gt;O corpo se defende da expressão gástrica do rosto. Um leve silogismo estético da Decadènce. Perfeito istmo ainda da linha que separa as coxas. Sob o provocativo tornozelo pernas impactantes com coxas sobressalentes e mais fortes que o resto do corpo. Aliás, essa imagem se fortalece decisivamente na expressão das pernas. A quebra da cintura uniformiza a padrão comercial a la Victoria Secret ou simples deboche para sustentar a quebra charmosa no tronco-eixo-pescoço. Enquanto a parte de cima tenta se resolver entre a depressão e nostalgia o resto do corpo é pura alegria. Numa vibração paradoxal de lúxuria, discrição e sensualidade. O raso do peito para mim é perfeito, sóbrio e andrógino. Crus, os botões dos lábios destonalizados do rubor fazem par perfeito com a luz que captura esses olhos desdenhantes do tempo, do que lhe fizeram ou vão fazer. Por sobre os ombros alguns cabelos desarrumados falam do casual e exibem a sátira angustiante para as beldades de chapas. Se fosse real diria que está em dores de amor.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;É possível que o mundo das avacalhadas beldades, tidas como superficiais, consigam traduzir algo mais que além do ideal consumista de beleza. Depende, é claro, que quem vê e como vê.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_F1LR6ChMyrM/Ss9haFpMZKI/AAAAAAAAAIo/TKbfCv5NvWM/s1600-h/afrodisiaco5-1.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 230px; height: 320px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_F1LR6ChMyrM/Ss9haFpMZKI/AAAAAAAAAIo/TKbfCv5NvWM/s320/afrodisiaco5-1.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5390634379805222050" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenta aí.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6967722988545203586-8888148791626176226?l=philosofurria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://philosofurria.blogspot.com/2009/10/da-critica-observacao-experiencial.html</link><author>dudabastos@yahoo.com (Duda Bastos)</author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_F1LR6ChMyrM/Ss9kVH7qRjI/AAAAAAAAAIw/ZA-Y9jShIrA/s72-c/OgAAAK6YVyLHOlz5iJkP558-AZDpdNovX-KfGAgKNFCAnOjd8cW-TiiHjwUXUC9p5zBmevfGj6cM3M_mZztxnC0YtFEAm1T1UCDzAZ6GNFRzHTFJsj3BfvSodFjR.jpg' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>1</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-6967722988545203586.post-8044462629061725321</guid><pubDate>Sun, 14 Jun 2009 20:33:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-08-24T11:28:41.600-07:00</atom:updated><title>Autotradições. A formação das brevidades ou o desmonte das tradições.</title><description>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_F1LR6ChMyrM/SjVgfd52zhI/AAAAAAAAAHY/0JXwOTWb_q4/s1600-h/sala_de_aula_vitoriana.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 196px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_F1LR6ChMyrM/SjVgfd52zhI/AAAAAAAAAHY/0JXwOTWb_q4/s320/sala_de_aula_vitoriana.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5347286226291838482" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Carpe diem quam minimum credula postero&lt;br /&gt;dum loquimur, fugerit invida&lt;br /&gt;aetas* Horácio (65 - 8 AC)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Aos 31 de dezembro de 2008 às dez horas respingantes sobre o belvedere da Igreja de Nossa Senhora das Mercês e Perdões, Ouro Preto, Minas Gerais.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tardiamente descobri o desarme do pensamento comum. A defasagem dos meus intentos  mostram o quanto demorei para me desamparar do ancestral, da operação afetiva tradicional e moral, dos títulos dos bons costumes. O território descrito em que se arrastava a percepção estava sob a égide de edificações quadradas, casais pseudo-elegantes, máquinas desejantes reprimidas, juízos nauseantes, gestos mumificados e obediências servis. Em parte devido a formação do grande sistema social familiar e educacional que negocia o medo através da regulação de uma forma eficiente de comportamento. Legaliza orientações morais para uma boa conduta em oposição à livre conduta. A livre conduta percorre a linha atenuante do desafio, da inconstância e até da desordem. Daí o seu temor e perigo. Mas esta linha de fora é um abrigo de autonomia e domínio. É no livre agir espreitando o discurso de respostas e sensações autóctones que viceja a pessoalidade, o singular, o "próprio de". O desarme da bomba de Formação Tradicional - ou também Educação Tradicional - pode alimentar um novo percurso para a vocação humana do livre pensamento e abreviação livre daquilo que chamo autotradição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Primeiramente proponho a exibição do discurso da brevidade. Tudo passa ao tempo que se passa. Toda demora após o fato abandona a noção exata de tempo. O que se passou pode ser percebido apenas no "enquanto" permitindo assim à memória ter alguma reflexão dos instantes anteriores. Daí o fato de algo do passado provocar sensações mas exatamente não permitir atuações físicas no presente. Dessa forma, o valor do vivenciado carrega reflexos e atos, mas não possibilidades materiais. O &lt;em&gt;instants&lt;/em&gt; é o real, material ou definido. A problemática do definitivo se monta em toda e qualquer previsão para aspectos congelantes. A brevidade surge como a possibilidade do inesperado. A marcação da brevidade permite o apontamento do transir, da modificação, do deslocamento. Convoca a não-fixação, a mudança, a desestabilização dos paradigmas. O sentido da brevidade se opõe a marcação por hora, fajuta, da fixação, da constância, do imutável. Mas não pelo desprezo ao justamente fixo, constante ou imutável, mas por todo sentido de efemeridade e insegurança que esses elementos possuem no mundo real, material. Descola-se então da temporalidade todo senso de definitivo para o espaçamento da brevidade, uma vez que, a tradição se fixa ao tempo, à conservação inevitável e impede a diferenciação mundana, profícua e capaz ao ser. Com isso é possível a ação do desfalecimento das tradições em oposição à morte das tradições. Matar a linha de conduta moral e performativa dos costumes paradoxais e realizar a circunstância do duplo relativo à construção da autotradição, do outro lado, da idealização da pessoalidade sentida e explorada pelo exalar das próprias idéias, sensações, gostos, percepção de mundo, moral, etc. Processos reavivados desconformes aos símbolos e valores distorcidos, atuantes em grande parte nas religiões ou regimes familiares patriarcais, comunidades saudosistas, grupos titulares e autoridades civis. Uma espécie velada de Fascismo (regime totalitarista que faz prevalecer os conceitos de nação e raça sobre os valores individuais).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em segundo, descrevo a seguir, uma breve resolução com aspectos práticos para a autotradição e liberação da inconformidade:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1° Ficar disponível a uma outra obra sobre a moral tradicional. As sensações de alegrias próprias não podem mais ser regidas por alternativas de controle ou sistemas depressivos sociais comuns. Dessa forma ambientes austeros e disciplinares estão disponíveis para regulação de sociopatas e não da natureza comum. Exibições posturais de acordo com a estética do enrijecimento - doutores, juízes, militares, políticos, religiosos -  revelam o grau máximo de discurso fático e falência dos últimos órgãos sociais da moralidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2° Deposição dos domingos e feriados e toda resolução do calendário que conformam o comportamento. A existência simbólica desses dias não atendem aos horizontes de expectativas passionais. Dias fixados para símbolos e idéias que induzem a processos de subjetivação massificadores. A culpabilidade do ócio na segunda-feira é para alguns o tormento e fator desregulador. O plano capital do comércio induziu o humano a um calendário exigente e material - reificador. Da mesma forma os dias festivos do calendário que servem para múltiplos fins inclusive regular a decisão e obrigação de afazeres e programação das emoções.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3° A elegância despistadora da atenção. O aspecto dialógico da desculpa e a manutenção da não obrigação. O ser vivido na medida de sua própria medida. Nunca na expectativa arrogante do controle, da desesperança. Sempre uma forma nova, uma abertura, outro ângulo, sempre o seu. Não o dos tutores, não o dos sacertodes, não os da lei, não os dos pais, não os dos formadores de opinião, mas os do auto, do próprio, da pele. Nunca a conveniência e o esforço para a paixão e sempre a fuga da censura de utilidade fria e calculista. Nunca mais aos "ensinados a mandar outras vezes a obedecer" e por tudo o autoensino para as escolhas, os autoinstantes e os autolimites.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A rebeldia em multifacialidade, a intransigência ao paradoxo, o desprezo pelo comportamental e enfim elaboração do próprio discurso. Ou tal qual Frederico: "domínio sobre o seu pró e o seu contra, e aprender a mostrá-los e novamente guardá-los de acordo com seus fins (...)".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;* Colhe o dia, confia o mínimo no amanhã&lt;br /&gt;Mesmo enquanto falamos, o tempo ciumento&lt;br /&gt;está fugindo de nós. &lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6967722988545203586-8044462629061725321?l=philosofurria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://philosofurria.blogspot.com/2009/06/autotradicoes-formacao-das-brevidades.html</link><author>dudabastos@yahoo.com (Duda Bastos)</author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_F1LR6ChMyrM/SjVgfd52zhI/AAAAAAAAAHY/0JXwOTWb_q4/s72-c/sala_de_aula_vitoriana.jpg' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>5</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-6967722988545203586.post-2773115979019612446</guid><pubDate>Mon, 12 Jan 2009 16:33:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-02-25T18:41:25.935-08:00</atom:updated><title>O Cantador que trama o verso*.</title><description>&lt;div align="left"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5290446656596505602" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 241px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_F1LR6ChMyrM/SWtxNEWWdAI/AAAAAAAAAGU/FnLAkLofYV4/s320/Xangai.jpg" border="0" /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;* &lt;span style="font-size:78%;"&gt;mantido o tom acadêmico &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt; &lt;/div&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Sem nenhuma alusão ao Oriente e intensa vocação pelo estandarte da poesia cantada, vive em nossas searas baianas, um trovador desgarrado das tropas antigas, da fenda do tempo, dos salões de reis castelares, chama-se Xangai.&lt;/strong&gt; &lt;/em&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;em&gt;O nome provém de uma sorveteria, datada de 1968, reconhecida em Nanuque, cidade da Zona da Mata mineira, que pertenceu ao pai do cantador, onde trabalhou aos 18 anos de idade. Assume a sorveteria – que possuía este nome – e, segundo conta, desenvolve um atendimento diferenciado cujo recurso de marketing é a própria figuração carismática de sua atividade no estabelecimento. Este fato possibilita que Eugenio seja referência direta da sorveteria, ou vice-versa, e então, passa a ser conhecido como Xangai. Apesar da sorveteria como negócio, não reside ali a principal inclinação profissional da família. Do pai Jany, sanfoneiro, “um bom tocador de oito baixos – sanfona Pé-de-bode -”, como relata o cantador, e do avô Avelino – exímio sanfoneiro da região Conquistense – obtém grande parte das influências musicais. É oriundo de um lugar sertano, remanescente do “Córrego do Jundiá”, região próxima à Vitória da Conquista que fica 14 léguas entre Itapebi e Potiraguá na região conhecida como Vale do Jequitinhonha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/em&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;“Eu sou cantador, canto minha circunstância, minha realidade. Eu sou um vaqueiro cantador, eu sou um pastor”&lt;/strong&gt;. &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pertence, portanto, a linhagem de cantadores, logo, à primeira geração da Nova Cantoria. Esse conjunto é formado pelos novos cantadores: Vital Farias, Juraildes da Cruz, Elomar, Dércio Marques, Hélio Contreiras, Augusto Jatobá, Geraldo Azevedo, Alceu Valença, João Ba, Dorothy Marques, Maciel Mello dentre muitos outros, atuantes desde o final da década de sessenta. Da Cantoria Nordestina, Xangai mantém certa proximidade, em parte pelo movimento apresentar elementos performáticos que incitam à velocidade de articulação com as palavras e pela rapidez de raciocínio, na improvisação. Embora a Bahia não possua tradição na Cantoria Nordestina, Xangai colhe referências de momentos, considerados por ele, como importantes para sua trajetória. São circunstâncias que lhe possibilitam a convivência com renomados cantadores e repentistas, a exemplo de: Lourival Batista, Octacílio Batista, Manuel Xudu, Mané Serradô, Moacir Laurentino, Diniz Vitorino, Pinto do Monteiro e Ivanildo Vila Nova, este último parceiro de Xangai nas canções: “Galope à Beira Mar Soletrado” e “Natureza”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;em&gt;Xangai é inclinado a congregações artísticas: é um apologista de cantadores. Tal posicionamento é uma das características intrínsecas ao movimento da Nova Cantoria. Possui carisma para agregar cantadores, poetas e instrumentistas dos variados gêneros em espetáculos e gravações. Da música pantaneira: Almir Sater e Renato Teixeira, até cantadores de coco, como Jacinto Silva – falecido em 2006. É um poeta-cantador que incentiva a movimentação artística e social da Nova Cantoria, proporcionando encontros e produções artísticas. Forma, atualmente, uma teia preenchida por profissionais de diversos setores que engendram ações culturais e artísticas na Nova Cantoria: comunicadores, produtores, publicitários, artistas plásticos, poetas, escritores, jornalistas, empresários e músicos.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;em&gt;A Nova Cantoria de Xangai apesar das necessidades e projetos capitalísticos, possui um ideal humanista peculiar. Tal fato constitui-se não só como propriedade da Nova Cantoria, mas como elemento vivo dos seus espetáculos e atores. Com a participação dos “companheiros” nas apresentações dos cantadores ganham ampla função espacial, tecendo imaginários e parecem corresponder aos anseios de seus atores na formação “da grande comunidade”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Tenho grandes compadres, grandes amores, meus amores poetas. Homens. [...] Renato Teixeira fez uma música para eu cantar. Acho ela muito bonita. Muito preciosa. Chama-se “Pequenina”&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;De Hélio Contreiras, Xangai interpreta “Estampas Eucalol” – “Hélio Contreiras que me deu esse presente, e de Jatobá, “Matança”. Estas canções inauguram o reconhecimento público do cantador. Durante sua apresentação sempre menciona os compositores de algumas das canções que interpreta: Essa eu fiz com Capinam – referindo-se à canção “Que é que tu tem canário”; “Maciel Melo [...] fez uma canção para os meus dois filhos e me deu esse texto pra eu cantar”, a música: “João e Duvê”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1973 transfere-se para o Rio de Janeiro com o objetivo de estudar Economia, ingressa na Universidade, porém a abandona pouco depois para se dedicar à vida artística. Conhece, a partir de então, vários artistas, dentre eles, Geraldo Azevedo, Elba Ramalho, Alceu Valença, Antônio Carlos e Jocafi e muitos outros. Chega a trabalhar compondo trilhas para filmes como “Morte e Vida Severina”, de 1977, dirigido por Zelito Viana. E é no Rio de Janeiro que sua carreira como novo cantador se afirma. Principalmente quando ganha o prêmio Chiquinha Gonzaga de 1982, pelo LP independente “Qué qui tu tem canário?”. Sendo assim, essa trajetória ganhará marcação decisiva a partir do reencontro com Elomar no período preparatório para a gravação do “Auto da Catingueira”, em 1983. Xangai, desse momento em diante, constitui-se como um dos mais profícuos intérpretes de Elomar. Em Xangai, por sua vez, o próprio reconhece um cantador em pleno acordo com o texto e a disposição melódica das suas composições:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim é a fala de Elomar sobre o cantador: &lt;strong&gt;"Xangai, um cantor, um artista, um menestrel, um dos maiores poucos gatos pingados e tresloucados sonhadores-de-mãos-sangrentas-contrapontas-afiadas inimigas. Remanescentes que teima guardar a moribunda alma desta terra. Que também vai se atropelando contra a multidão de astros constelados que fulgurantes espargem luz negra dos céus dos que buscam a luz. Lá vai ele recalcitrante e contumás cavaleiro, perdulário da bem querência que deixa a índole dissoluta de um pobre povo que habita o espaço rico de uma pátria que ainda não nasceu [...]".&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Xangai é um cantador de poderes rítmicos na canção. Além disso, possui trabalho vocal, de acordo com potenciais expressivos dos fonemas. Tal representação é reconhecida através de um jogo que executa entre a intensidade dos sons, nitidez do vocabulário que interpreta e o tempo. Desenvolve, assim, canções cujos textos poéticos possuem valor expressivo em função da articulação entre o ritmo e a pronúncia. As modalidades das canções, algumas delas, são de difícil execução. É o caso dos cocos, principalmente os “cocos trava-língua”, cuja repetição das sílabas semelhantes funciona como realce. A função da repetição é importante, não apenas por chamar atenção sobre o texto, nem pela natureza simbólica e onomatopéica, mas pelo realce de determinadas palavras. Tais recursos são melhor compreendidos na visualização do texto:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olha lá, cantadô, olha lá&lt;br /&gt;É bonito ver um gago grego gaguejar&lt;br /&gt;Olha lá, cantadô, olha lá&lt;br /&gt;É bonito ver um gago grego gaguejar&lt;br /&gt;O gago grego quando vai falar gagueja&lt;br /&gt;É uma peleja ver o gago grego gaguejar&lt;br /&gt;Ele diz ta-ta, ta,ta,ta chegando a hora&lt;br /&gt;O gago afobado chora porque não pode falar&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;(De Jacinto Silva interpretado por Xangai)&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Xangai tem uma performance matemática na canção. Atua de modo eficaz na interpretação de certas músicas que exigem respiração adequada para legibilidade do texto e manutenção rítmica, como é o caso dos cocos sincopados. Ele afirma: “eu tenho um metrônomo dentro de mim [...] eu canto com a ‘arritmética’, e com a ‘arritmética’, eu canto o “diafragmático”. Tais músicas, que apresentam dificuldades poéticas, são chamados de “versos de pé quebrado”, que significam, humoristicamente, de acordo com Xangai: “tirar um verso de onde não tem e colocar onde não cabe”. Da mesma forma que estas canções exigem recursos vocais, interessam ao desempenho no instrumento, no caso de Xangai, o violão. Desenvolveu técnica própria no instrumento e o executa com distinta expressividade performática. Este feito produziu, um formato próprio no toque do instrumento, o modo de Xangai tocar, segundo Elomar é o “xangaliano”, e o intitula de: “Samba de Bico Roçaliano Impinicado de Sansão no Catado Miúdo Acebolado”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/em&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;em&gt;Outra trama evidente na performance, poética e musicalidade de Xangai é a sua ligação com a União do Vegetal (UDV ). A UDV é um agrupamento religioso de fins espirituais que tem por conveniência práticas específicas, dentre as quais: valorar palavras de acordo com o significado metafísico embutido nestas, ou seja, para eles as palavras carregam superstições, noções espirituais e poderes de acordo com a idéia representada. Sendo assim, Xangai modifica algumas situações poéticas em que o verso está preenchido por palavras de conotação inadequada, segundo os preceitos da UDV. Nesse sentido, algumas composições que chegam ao artista podem sofrer transformações em virtude dessas crenças. Em outra situação, o verso também fica disponível a sua engenhosidade haja vista buscar melhor adequá-lo para, de acordo com visões próprias, empreender outro contexto para o verso. A prática da UDV busca reposicionamento de palavras, as quais, em certo sentido, procuram um sinônimo adequado transformando o plano energético incutido na significação. A exemplo disso tem-se a palavra último que deve ser substituída por derradeiro, pois derradeiro significa aquilo que não termina, e, se coloca como algo que pode vir além. Último pode atrair sensações e realidades indesejáveis para quem a proclama.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;em&gt;Esses aspectos singulares fazem de Xangai um poeta-cantador atento a certas minúcias e cuidados com o próprio aspecto artístico. É um cantador de múltiplas delicadezas, desde as vestimentas, adornadas em detalhes que perpassam bordados, coletes, cintos e acessórios de couro e tecido, sapatos e botas elegantes, chapéu, unhas sempre bem feitas e barba retocada, até utensílios da prática artística: instrumentos que adornam sua performance, violões bonitos, de qualidade sonora, com roseiras finamente desenhadas e madeiras nobres. Em seus bolsos, coisas aromáticas: rapés, óleos mentolados, perfumes. Em prosa, um cantador com um discurso pausado, levemente insinuado em fala melódica, quase cantando ou recitando seus argumentos. No dedo, um anel de estrela, como referência direta ao Centro da UDV que freqüenta, o Estrela da Manhã. Tece, prazerosamente, o ofício de cantador e contador de histórias, ofertando suas síncopes vocais, agregando as pessoas a participarem, com ele, das canções propostas. Na roda de cantoria atua como maestro, organizando os “ataques” dos violeiros e medindo o volume dos instrumentos para harmonização. No palco, exerce pleno controle sobre o texto do repertório, deixando legível, mesmo as canções linguisticamente complexas, capturando e seduzindo as audiências através da performance configurada em humorismo e alegria. &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;em&gt;Ê cavalêro.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6967722988545203586-2773115979019612446?l=philosofurria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://philosofurria.blogspot.com/2009/01/o-cantador-que-trama-o-verso.html</link><author>dudabastos@yahoo.com (Duda Bastos)</author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_F1LR6ChMyrM/SWtxNEWWdAI/AAAAAAAAAGU/FnLAkLofYV4/s72-c/Xangai.jpg' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>3</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-6967722988545203586.post-74120652873503341</guid><pubDate>Wed, 10 Dec 2008 01:22:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-09-01T20:00:45.712-07:00</atom:updated><title>Das formas do ardido.</title><description>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_F1LR6ChMyrM/ST8h-oHWyjI/AAAAAAAAAGM/_p70s9OdK80/s1600-h/caniscatis.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5277974648105388594" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 302px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_F1LR6ChMyrM/ST8h-oHWyjI/AAAAAAAAAGM/_p70s9OdK80/s320/caniscatis.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Pessimismos, alardes, &lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;blogs trans-agressivos e Mainardis.&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Ao ler alguns de meus textos, talvez, a opção mais óbvia seja a inclinação crítica para julgá-los como radicais. É ululante. Tais como aqueles esporros periodistas dados por Diogo Mainardi na revista Veja onde coloca o presidente na privada, os discursos arrasadores dos apresentadores das Tribunas do Povo nas televisões ou enfrentando os naufrágios da nação no discurso cáspio de Arnaldo Jabor e tantos, tantos outros. Nietzsche, em sua compilação de Ecce Homo, divagando sobre seus escritos aforistas em Menschliches, Allzumenschliches – Humano, Demasiado Humano - , relata que não vai ser mais um espanta moscas, não quer, não precisa, e, no entanto não se contenta em deixar de fazê-lo em uma só linha antes, durante ou depois. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;Serão mágoas, carências, afetações, recalques, perturbações? Será que a professora na infância deixou de castigo na frente de todo mundo ou será que é mal amado? Será que é amargo ou será que é infeliz?&lt;br /&gt;Qual é a do chocolate amargo? Café combina com muito doce (ou com algum)? Precisa adoçar o suco de laranja? Se a metáfora gastronômica for falaz, uso outra: você aperta uma mão suja?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vemos que tudo ou qualquer coisa nesse mundo tem o seu lugar. Não significa que qualquer tudo pode caber no meu lugar. As vezes o meu grande lugar são entrelinhas, arrasadoras ou adulantes. As vezes são duas toneladas, outras peso-pena. Depende.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Existe genialidade na indústria cultural para as massas. Mas também é possível perguntar se essa indústria cultural existe. Será que toda produção cultural não é industrial sob as mesmas matrizes culturais. Matrizes culturais? O processo de subjetivação que decorre dos produtos de massa tem um rosto esquisito para mim. Não disse odioso. As vezes se gosta mesmo do esquisito. Ama-se. Outras vezes se acha patético.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto o axé toca por ali longe de mim, me devoto a outras alegrias, talvez clandestinidades. De repente, um cachimbo. Ôpa, uma bola na boca do cachorro.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6967722988545203586-74120652873503341?l=philosofurria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://philosofurria.blogspot.com/2008/12/das-formas-do-ardido.html</link><author>dudabastos@yahoo.com (Duda Bastos)</author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_F1LR6ChMyrM/ST8h-oHWyjI/AAAAAAAAAGM/_p70s9OdK80/s72-c/caniscatis.jpg' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>2</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-6967722988545203586.post-371147223057269124</guid><pubDate>Wed, 03 Dec 2008 01:21:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-01-11T17:11:10.301-08:00</atom:updated><title>A Dama da América Latina</title><description>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_F1LR6ChMyrM/STXf1n736CI/AAAAAAAAAF8/oh4YVKLTS3w/s1600-h/101_0689.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5275368650880575522" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 240px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_F1LR6ChMyrM/STXf1n736CI/AAAAAAAAAF8/oh4YVKLTS3w/s320/101_0689.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Sob um poncho vermelho solta os braços, &lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;lentamente, para abrir o estrondo da voz.&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Mercedes Sosa em apresentações pelo Brasil, nesta seara dos confins de 2008 é algo para não se perder. Nunca. Tem que gostar da voz telúrica, enrouquecida e calorosa da musa de 73 anos.&lt;br /&gt;O espírito da América Latina em vibratos profundos e cortantes. Por trás de sua aparição, a América Latina sujeito, experiente com a carga de quem já passou por marchas de sangue e glórias. Marchas de sangre de los etudiantes. Histórias que o Brasil conhece pouco, logo que, sempre se mantém longe e absorto em outros caos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqui em Salvador, no Teatro Castro Alves, com uma platéia barulhenta - não há preparação para aquilo que ressoará como trovão – a apresentação litúrgica, sacra para o tambor de Mercedes, no ribombo do canto em catársico texto. Alegre é lúgubre.&lt;br /&gt;O baiano fala muito, barulha demais, sem pretexto, exórdio, sem paz. Trajam, as mulheres, vestidos horríveis cheios de lantejoulas e se perfumam para o nada. O calor desgraçado do TCA sinaliza a necessidade do declínio que se aproxima. E em minha cabeça Mercedes começa a cantar. A espera também é nada. O peso é a comunidade baiana. Mas a Dama virá. Guiada por dois acólitos vem sentar-se em sua cadeira amplamente ovacionada depois de 15 anos sem vir a Bahia. Finalmente os soteropolitanos se calam. Senta serena e dá-nos as graças de estar em Salvador da Bahia. Abre o canto e depois de umas 2 canções larga Gracias a La Vida e a platéia acolhe saindo do sufoco de uma década e meia.Canta María Elena Walsh, Violeta Parra, Ariel Ramirez, Armando Tejada Gómez Y César Isella até recair numa das melhores coisas do cancioneiro brasileiro: Milton Nascimento mesmo.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Se va enredando, enredando&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Como en el muro la hiedra&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Y va brotando, brotando&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Como el musguito en la piedra&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Como el musguito en la piedra, ay si, si, si.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Volver a Los 17 – Violeta Parra&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Não sei o quanto cansativo é ler sobre Mercedes a partir do que sinto. Mas é chato universalizar minhas sensações e descrever de acordo com a possível transparência de todos.&lt;br /&gt;Eu estive dentro de uma redoma naquele canto latino, na verdade sempre estou quando a ouço.&lt;br /&gt;Não temos vozes femininas expressivas no Brasil e a maioria das cantoras, cantadeiras e cantrizes parecem desconhecer o que seja o ofício. A pulsação que dá a voz o conceito,&lt;br /&gt;a metafísica. Entre grunhidos e solfejinhos afinados, ouvimos, em grande parte, sons de barzinhos em vozes resquícios bossanovistas e modismos “mais nada novo sob o sol”. Desculpem. Entre estas estão Adriana Maciel, Paula Toller, Adriana Calcanhoto, Zizi Possi, Rosa Passos e o clubinho musical de categoria bairrista baiano sem sal de Márcia Castro, Vânia Abreu, Mariene de Castro e sem número de iguais. Desculpem. E as vozes banda baile de Ivete, Cláudia Leite, Daniela Mercury - carretel de mulheres estandarte de pernões que só cantam porque tem pernas bonitas pois se tivessem cambitos iriam arejar na ninguendade. Tão diferentes das vozes universais e apoteóticas das nem tão bonitas Dulce Pontes, Maria João, Mercedes Sosa e Edith Piaf. Elis já morreu. Ao posto sobejam Maria Betânia e Mônica Salmaso. A filha da Elis é uma piada marqueteira. Todas vozes bonitinhas, mas cantoras?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O poncho rubro que reveste a Mercedes ressalta um armorial vivo e é preciso entender porque trata-se de uma Dama da América Latina. La Negra, como foi nomeada pelos argentinos, por conta dos cabelos negros e escorridos, é a expressão artística da abolição contra as tiranias que mancharam a América em meados do séc XX. Seu repertório é ideológico. Repugna o imperialismo norte-americano (não a cultura americana), consumismo e as diferenças sociais massacrantes. La Negra colocou em seus palcos os caminhos peronistas que aderiu durante toda a vida com canções imponentes que dizem aos governos para viver os interesses do povo, em que só existe uma classe de homem: os que trabalham. Seus braços são as forças sociais pela e para a sociedade e os únicos privilegiados são as crianças.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu ceticismo e radicalidade, exagerados, justificam-se pela penumbra contralto sustentada no tambor e força musical daquela Dama. Não tenho outra expectativa senão contradizer meu país e suas aberrações artísticas de auditório, onde trafegam parcas expressões viscerais. Paro por aqui. Nada mais é possível de ser dito pois meu texto ficou trancando. Deve ser pela decepção. Deixe-me ver o que tem para ver na cidade por esses dias. Não melhor não, melhor ficar aqui no meu canto, em minha casa pinicando ao violão Canción para Carito. Vai que dissolvo meu desgosto porquanto meu recanto vira uma fenda castelhana.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Andando solo&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Bajo la llovizna gris&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Fingiendo duro&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Que tu vida fue de aqui&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Por que cambiaste un mar de gente&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Por donde gobierna la flor&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Mira que el rio&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Nunca regalo el color.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Canción para Carito&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6967722988545203586-371147223057269124?l=philosofurria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://philosofurria.blogspot.com/2008/12/dama-da-amrica-latina.html</link><author>dudabastos@yahoo.com (Duda Bastos)</author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_F1LR6ChMyrM/STXf1n736CI/AAAAAAAAAF8/oh4YVKLTS3w/s72-c/101_0689.JPG' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>4</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-6967722988545203586.post-6068668242996889385</guid><pubDate>Tue, 07 Oct 2008 02:57:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-10-07T19:47:47.672-07:00</atom:updated><title>Dércio Marques. Menestrel das matas e das cidades.</title><description>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_F1LR6ChMyrM/SOrRBKbFh9I/AAAAAAAAAFM/mOpnmnUXDM4/s1600-h/dercio-e-o-charango.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5254241733189142482" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_F1LR6ChMyrM/SOrRBKbFh9I/AAAAAAAAAFM/mOpnmnUXDM4/s320/dercio-e-o-charango.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Ouça a mata cantar. Pela garganta de um fauno cantador gritam os anseios mais densos que confundem os elos humanos, os desejos, as crenças espirituais. Há algo de um índio antigo em suas orquestrações. Ele é puro, desconhecido, inusitado. Nunca tímido, mas silencioso e pensador. Pensa ali suas harmonias e solfejos. Rico despoja tudo que tem para simplesmente nada ter, senão a viagem. A desarrumação, o caos e as malas prontas. Para ir, vir e devir.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Foto: Dércio Marques 1974&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Dércio Marques é uma arqueologia de sensações musicais para além das notas enfadonhas. Existencialista: canta, de modo afetivo o homem em suas relações humanas e sociais, apropriando-se, de acordo com cada fase da sua história, dos tesouros que pirateia por aí. Vive envolvido numa performance errante na vida artística. Consumido na referência imediata de um estilo de vida inusitado, cigano para tantas cidades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Suas cercanias artísticas foram constituídas por nomes célebres da música latino-americana, como Mercedes Sosa e Violeta Parra, e de muitos outros cantadores do Brasil e América Latina. Certo dia rompera com o Brasil face ao desgosto que aqui se encontrava com tanta bossa-nova e Iê-iê-iês. De certo que voltaria atravessado por ponchos e charangos. Quando voltou não se sabia direito e isso foi pelos idos de 1974 quando conheceu Elomar Figueira Mello. O canto vaqueiro, territorialista, nativo de Elomar o reconduziu a uma nova locanda. Para ele faltava esse telúrico pois a bossa se empunha como movimento para certa debilidade naquela época, pois era mais parecido como proposta das massas elitistas cariocas, paulistanas e baianas em acordo com o consumo imediato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Dércio, eu vejo nele um menestrel, um trovador clássico – como eu sou também – aquele típico trovador que canta trovas, troveiro, rapsodo menestrel. Um músico de ponta, um ouvido fantástico, uma voz afinadíssima, um timbre belíssimo, uma postura de palco teatral, naturalmente teatral. Ele não faz força para fazer nada, tudo o que ele faz no palco é bonito, aquele jeitão dele, fazendo o que um grande artista faz, o mesmo que centra o espetáculo. Às vezes ele chega assim, completo, muito polivalente, músico. É costume ele andar por aí feito um cigano, e esquecendo os instrumentos no palco, tem dez instrumentos, larga um, pega outro, desafina uma corda, muda pra outra. Põe na afinação que quer, é um riachão, um cebolão, pega a viola de dez cordas, depois pega o violão de concerto, vai pro charango, um bandolim, depois bate no tambor e vai embora viajando, no concerto não pára. &lt;strong&gt;Elomar Figueira Mello&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Meu convívio com Dércio data de meados do ano 2000. Desde essa data não entendi mais nada. E até hoje preciso parar delicadamente para assimilar aos poucos o que sua poesia e música pretendem nessa era de ansiedades. Seu ouvido musical apurado e sagrado explora uma música transcendente, mística. Em suas canções, ou nas que interpreta, fala de seres carnais, espirituais e das trocas afetivas entre os juntos ou desligados.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;Meu amor adeus&lt;br /&gt;Tem cuidado&lt;br /&gt;Se a dor é um espinho&lt;br /&gt;Que espeta sozinho&lt;br /&gt;Do outro lado&lt;br /&gt;Meu bem desvairado&lt;br /&gt;Tão aflito&lt;br /&gt;Se a dor é um dó&lt;br /&gt;Que desfaz um nó&lt;br /&gt;E desata um grito&lt;br /&gt;Um mal olhado&lt;br /&gt;Um mal pecado&lt;br /&gt;E a saudade é uma espera&lt;br /&gt;É uma aflição&lt;br /&gt;Se é primavera&lt;br /&gt;É um fim de outono&lt;br /&gt;Um tempo morno&lt;br /&gt;É quase verão&lt;br /&gt;Em pleno inverno&lt;br /&gt;É um abandono&lt;br /&gt;Por que não me vês, maresia&lt;br /&gt;Se a dor é um ciúme&lt;br /&gt;Que espalha perfume&lt;br /&gt;E me agonia [...]&lt;/strong&gt; (MARQUES, 1999, CD 1, faixa 1)&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;“Por que não me vês” do compositor Fausto. G&lt;/em&gt;&lt;em&gt;ravada por Dércio Marques no álbum duplo Cantigas de Abraçar.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Em outra face canta as desigualdades sociais e as angústias que acompanham o homem esmagado pelos poderes do mundo do trabalho e passeia através de um texto denso, coligido de poetas como Atahualpa Yupanqui, Elomar e José Maria Giroldo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dércio é um artesão musical: “constrói” cada som em função da necessidade artística do projeto. Muitas de suas obras musicais foram feitas artesanalmente, ao longo de vários anos, e uma se torna ontológica: “Segredos Vegetais”. É uma obra finíssima e cuidadosa composta durante doze anos e levou mais quatro para ser gravada. É uma composição musical criada com um acervo sonoro pluralizado com registros da natureza e uma diversidade de instrumentos musicais. Este trabalho é constituído, segundo Dércio, com o objetivo de formar um ambiente temático que sugerisse os “cânticos mais profundos da natureza” e repressentasse a aura das matas e suas entidades espirituais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto nos exprememos entre sintonias dialógicas das rádios e i-pod de oitocentos mil gigas com quarenta e cinco milhões de músicas em mp3, é possível que uma só canção de Dércio não consiga ocupar de uma só vez o coração humano ao mesmo tempo que seja possível preencher todo o seu afeto. &lt;strong&gt;Caso resolva adentrar nessas canções não espere nada ecológico, pois a floresta dos sons de Dércio vai pensar que é você que precisa de cuidados e proteção ambiental.&lt;/strong&gt; Comece espalhando os segredos: Segredos Vegetais.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6967722988545203586-6068668242996889385?l=philosofurria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://philosofurria.blogspot.com/2008/10/drcio-marques-menestrel-das-matas-e-das.html</link><author>dudabastos@yahoo.com (Duda Bastos)</author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_F1LR6ChMyrM/SOrRBKbFh9I/AAAAAAAAAFM/mOpnmnUXDM4/s72-c/dercio-e-o-charango.jpg' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-6967722988545203586.post-4112686712252560434</guid><pubDate>Wed, 20 Aug 2008 02:47:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-08-19T20:26:01.056-07:00</atom:updated><title>Brasil versão 3.1</title><description>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_F1LR6ChMyrM/SKuF6QaIKMI/AAAAAAAAAC4/MgaANmscvAk/s1600-h/charge.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5236426227631794370" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_F1LR6ChMyrM/SKuF6QaIKMI/AAAAAAAAAC4/MgaANmscvAk/s320/charge.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;A escalada do Brasil a provável ascensão ao primeiro mundo, conforme algumas especulações dos clippings midiáticos, não passa de mero factóide. O que existe, no máximo, se aprimora numa versão re-configurada de terceiro mundo. Talvez adentremos num modelo avançado do programa mais tumultuado e bem sucedido dos governos: A Desigualdade Social.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;O quanto representa a América Latina na discussão contemporânea mundial? Senão pelas FARCS, Floresta Amazônica, caos econômico argentino, operário Lula no poder, a fogueira do inferno ardendo no Rio de Janeiro e o performático ditadorzinho meia-boca da Venezuela, de que vale a mídia do continente? O que tem para ser mostrado ao mundo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Vamos ao BRIC.&lt;/strong&gt; A China tem duas coisas o crescimento econômico cavalar e as olimpíadas de 2008. A importância da China é injusta ao lado do Brasil no BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China). Juntos, estes países, possuem o equivalente ao PIB dos EUA&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn1" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6967722988545203586#_ftn1" name="_ftnref1"&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#996633;"&gt;[1]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="color:#996633;"&gt;.&lt;/span&gt; Caso retrate as vitrines dos outros, Rússia e Índia, existem sentenças ainda mais inciumadoras para o País do Futebol. O que o Brasil está fazendo na lista do BRIC? Ah, são os números! Números que aparentemente impressionam, mas com quem estão os dígitos? Mais de 60 milhões de brasileiros desconhecem os três dígitos. O resto não saiu desses. Resta uma questão: que é crescimento? O Brasil é realmente um país que cresce? Emergente?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Recentemente as notícias febris são: “Os novos milionários brasileiros&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn2" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6967722988545203586#_ftn2" name="_ftnref2"&gt;&lt;span style="color:#996633;"&gt;[2]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;”, “A evolução capital das bolsas” e “O monstro da inflação que ameaça cuspir o fogo da remarcação de preços nas prateleiras de consumo”, ao mesmo tempo que o mês de junho foi duro para as ações da Petrobrás, Vale e Banco do Brasil. Os trombadinhas que roubam essas bolsas vêm de fora. Mas o Brasil está num estado crítico mesmo, pouco tempo atrás se propagava à independência em Petróleo, mas os preços das bombas continuam subindo e as inteligências internacionais falam do etanol para substituir a este. O próprio Brasil acaba de incrementar ações de investimento nas plantações de cana&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn3" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6967722988545203586#_ftn3" name="_ftnref3"&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#996633;"&gt;[3]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;. &lt;strong&gt;Inexplicável.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Vivos, Cazuza e Renato Russo entrariam para o congresso nacional, tal como Clodovil. Pelo menos só por chacota e rebeldia. Este último parece exercer um mandato sensato, ao menos polêmico já que pleiteia uma votação para reduzir o número de deputados na casa. É a piada pronta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O congresso nacional infesta-se de piratas. Mas a política é assim mesmo, suja, imperfeita e cospe no chão. A mesma política que insiste em resolver os problemas da corrupção com CPI´s que não dão em nada e servem de consolo para o gado no pasto. E vamos assim pastando com a conversa mole deles e achando que estamos crescendo e desenvolvendo, na embarcação gerundista nas balsas do progresso rumo ao &lt;strong&gt;mundo versão 1.0&lt;/strong&gt;. Talvez o primeiro em projeções fajutas, seguidos pelo resto de mentiras venezuelanas, colombianas e castristas. &lt;strong&gt;Aqui o que se fala não se escreve e o que se escreve não se lê porque o povo é analfabeto.&lt;/strong&gt; A grande massa sabe nada de nada. E o nosso país, candidato a cargos e representações nos grupos dos países do primeiro mundo possui uma população alheia a tudo. Alheia aos seus direitos, à alfabetização, noções básicas de saúde, constituição familiar, formação ocupacional e dos diversos tipos de inclusão social. Só sabe receita de bolo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas outra coisa imbecil é o conceito de país de primeiro mundo. Esses também são os grandes fraudadores da humanidade, são os mais controladores, poluidores e atomicamente perigosos. E os de segundo? Desmontada a guerra-fria restou esse vácuo classificativo, do qual nada mais se espera, senão a declinação aos poderes de consumo. Mesmo se for o de armas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O Brasil é tão subdesenvolvido que nem terrorista tem.&lt;/strong&gt; Aliás, tem. Estão todos no poder e detonam as bombas na imprensa e no povo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fora o humor negro, ainda resta a América Latina. Melhor que o Brasil, em certos status, &lt;strong&gt;a Argentina ainda resvala em cinco prêmios Nobel&lt;/strong&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn4" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6967722988545203586#_ftn4" name="_ftnref4"&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#996633;"&gt;[4]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;. Viva o Brasil com o seu Prêmio Jabuti&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn5" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6967722988545203586#_ftn5" name="_ftnref5"&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#996633;"&gt;[5]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; em que megas-editoras tomaram conta da porra toda e não dão nenhum espaço para produções independentes. Vendilhões das Academias de Letras.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;PS: Não podemos ainda nos esquecer dos vinhos chilenos e das ruínas de Machu Picchu no Peru. Vitrines mundiais. 800 mil turistas por ano visitam este patrimônio histórica da humanidade.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Bom mesmo será a competição olímpica chinesa&lt;/strong&gt; que trará ao mundo as cenas estético-pirotécnicas de um gigante asiático que promete para um futuro não muito distante propor uma nova classificação de mundo. Talvez mundo versão 1.3. Com seus um bilhão e trezentos milhões de habitantes, revolucionando as forças mundiais. Será engraçado o chinês instrumental substituindo o inglês nas escolas. Visagem? Só sabemos muito pouco do idioma chinês porque até hoje esse país é fechado para a inclusão digital.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Estamos longe de sermos sujeitos ordinários de primeira grandeza.&lt;/strong&gt; Precisamos enxergar nossas situações profundas de aparecimento e continuísmo. Somos um agrupamento equivocado, com alguns poucos representantes de causas reais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É impossível construir uma nação perfumada e a motivação nunca será essa. Ao menos é preciso que as coisas gritantes encontrem o cemitério, que os marginais do poder se despeçam do planeta e dêem lugar a um corpo novo, mais consciente, menos pasteurizado ou carinhoso ou indolente. Menos &lt;em&gt;swan&lt;/em&gt; e mais status para um povo que amarga e cujo número de representação é o zero à esquerda no país que se re-descobre na sua versão aprimorada de caos, discrepância e miséria. Mais inteligência e menos tentativa-e-erro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na virada da maré mundial, em que centros de poder se reinventam e novos candidatos avançam, caso o Brasil instale essa versão Mundo 1.0 pode apostar: não vai funcionar, vai dar pau. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn1" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6967722988545203586#_ftnref1" name="_ftn1"&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#996633;"&gt;[1]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#996633;"&gt; http://pt.wikipedia.org/wiki/BRIC&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn2" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6967722988545203586#_ftnref2" name="_ftn2"&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#996633;"&gt;[2]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#996633;"&gt; http://www1.folha.uol.com.br/folha/dinheiro/ult91u362928.shtml&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn3" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6967722988545203586#_ftnref3" name="_ftn3"&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#996633;"&gt;[3]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#996633;"&gt;http://www.amazonia.desenvolvimento.gov.br/index.php?option=com_content&amp;amp;task=blogcategory&amp;amp;id=1&amp;amp;Itemid=59&amp;amp;limit=9&amp;amp;limitstart=9&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn4" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6967722988545203586#_ftnref4" name="_ftn4"&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#996633;"&gt;[4]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#996633;"&gt; http://www.argentina.ar/_pt/ciencia-e-educacao/C281-nobeles-argentinos.php?idioma_sel=pt&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn5" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6967722988545203586#_ftnref5" name="_ftn5"&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#996633;"&gt;[5]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#996633;"&gt; http://www.premiojabuti.com.br/BR/index.php&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6967722988545203586-4112686712252560434?l=philosofurria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://philosofurria.blogspot.com/2008/08/brasil-verso-31.html</link><author>dudabastos@yahoo.com (Duda Bastos)</author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_F1LR6ChMyrM/SKuF6QaIKMI/AAAAAAAAAC4/MgaANmscvAk/s72-c/charge.jpg' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>2</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-6967722988545203586.post-8021391653408206350</guid><pubDate>Sat, 31 May 2008 04:13:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-12-11T05:04:17.641-08:00</atom:updated><title>Fake Show</title><description>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_F1LR6ChMyrM/SEDR1V6KX_I/AAAAAAAAACY/ir-Des7Yf7c/s1600-h/691693_18683996.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5206391883584659442" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_F1LR6ChMyrM/SEDR1V6KX_I/AAAAAAAAACY/ir-Des7Yf7c/s320/691693_18683996.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;Texto publicado em 2005 - e agora revisado - no portal xiscando.com direcionado ao corpo discente de alunos de comunicação. O Xiscando é um blog que reflete sobre o mundo da propaganda e mostra o que acontece de mais atual no ambiente do marketing e da publicidade.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;A propaganda divertida dos estudantes não vai dar muito resultado. Um número bastante razoável de estudantes ingressa – de modo fácil – numa faculdade com o propósito único: curtir a vida desesperadamente. O mesmo desespero os toma por completo diante do fato de egressar num mercado restrito, mal remunerado e exigente. Vamos ao ponto? Pois bem, há certo tempo atrás, a propaganda criativa pertencia a uns poucos malucos de hábitos noturnos, irreverentes e desachados na vida. Arquitetos, artistas plásticos, jornalistas e até alguns economistas se inscreveram na arte de publicar o negócio dos outros. E o faziam, naquela época, a peso de dólar. Tempos áureos? Não. A propaganda nunca movimentou tanto dinheiro quanto agora. Mas ao passo que a propaganda cresce os salários e remunerações dos valores dos serviços diminuem. Isso não é uma progressão aritmética ou geométrica, é, de fato, uma depressão geo-arit-mega-hiper-eça-métrica. A propaganda regionalizada nos pequenos centros amarga resultado ainda pior: muitos cursos, poucas agências, veículos caros e menos ainda coesão operária. Êta povinho desunido esses aventureiros publicitários. Para se ter uma idéia, nossa classe, aqui na Bahia, é vinculada a um sindicato que pertence aos radialistas. Nada contra os amigos radialistas, ótimas pessoas, excelente profissão. Mas é que uma coisa é uma coisa e outra...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Eu fico admirado com as falas de alguns alunos iniciantes nas searas propagandistas. Eu espremo, espremo, espremo e, no geral, apenas percebo um grande interesse: nota das avaliações e prazo de entrega dos trabalhos. Isso piorou bastante depois que o universo &lt;em&gt;clueless&lt;/em&gt; entrou para a propaganda. Os corredores das faculdades não pertencem mais aos bichos-grilo de butique, roqueiros, neo-filósofos, artistas plásticos, militantes políticos, articuladores e inventivos. Pertencem atualmente, em grande parte, à &lt;em&gt;galera&lt;/em&gt; do batom, da cópia, dos ambulantes, dos baladeiros, dos &lt;em&gt;sex-appeals&lt;/em&gt; que ficam desfilando seus corpos esculpidos de deuses e deusas gregos. Tem aqueles que também são viciados em novas tecnologias e só vivem pra isso, afinal pra que serve tanto recurso no celular senão para que eu ocupe meu tempo. Vejo muita gente com tempo para 2, 3, 4 horas de malhação. Tri-atletas! Ops, será que estão na atividade certa? Vejo estudantes virando noite em baladas, e, nenhuma noite virada confabulando aquela campanha que foi passada como job lá no estágio. Já chegam, geralmente, nos estágios com cara de travesseiro, da mesma forma na faculdade. Péssimo. Esses “especialistas” acham ruim o fax. Mas será que sabem fazer algo melhor? &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Outro dia um conhecido meu saiu da Propeg, estava lá há seis anos. Trabalhava como Diretor de Arte. Até hoje não entende por que o salário dele não aumentou neste período e também porque o tinham dispensado. Perguntei-lhe: “Zé, você sabe o que é ars nova? Sabe quem foi Jean Michel-Basquiat?”. Obviamente o nome dele não é Zé, e muito menos sabia o que significava esta modalidade artística surgida com o Renascimento e esse ícone dionisíaco da Pop Art. Como disse Bruno Tolentino: estamos cheios de inteleco-teco-teleco-tectuais. Sabem a execução de uma quebradeira, mas nenhuma que impressione o chefe, o diretor, o professor. Minhas críticas não são às pessoas, mas ao desleixo e à indiferença. A atividade quase vegetativa em relação à profissão escolhida. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Desde minha época de estudante percebo uma coisa: quem manda bem na faculdade, continua mandando fora dela. Outros assumiram a moda dos cruzeiros e estão a ver navios. Talvez porque ficaram com medo da água e não aprenderam a nadar. Metáforas à parte, ainda dá tempo de não perder o ritmo. Dizer que a propaganda é ruim ou mente é algo tão fácil quanto não trabalhar por realizar a diferença. Ela tem suas perturbações: exige sacadas rápidas, inteligência, bagagem e conhecimento, é aglutinadora, incita, comove, influencia. Mas é uma atividade como poucas que proporciona certas estesias – se não sabe o que significa “estesia” um Houaiss cabe bem agora. Agora, se não sabe o que é um Houaiss, me perdoe, mas desista de ler agora esse texto e vá bater um baba. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E são algumas das relações promovidas pela propaganda que ajudam a fazer o cotidiano das pessoas um lugar mais divertido pra se viver, embora ela traga a sua mentira e mascare a realidade a custa de ideais muito duros. Afinal, tem coisa pior do que desejar algo e não poder ter? Mas, onde está o lugar ao sol para aqueles que ralam, e ralam muito? Pode tardar mas não falha, há sempre um véu de oportunidade a ser descortinado quando menos se espera – mas este lugar existe apenas para aqueles que tem algo a dizer e a fazer. E nesse estradar vale a pena alimentar o ego e a cabeça. O primeiro para que você acredite em si, o segundo para que você mostre o porquê de se acreditar. Lembre-se que um trabalho braçal faz um estivador e não um formador de opinião. Portanto pare de ficar levando e trazendo recado no estágio, na faculdade, no trabalho. Procure agir, faça de verdade, pense, reflita, leia, não devore apenas o cotidiano do Uol e do Orkut, revire também o mundo dos impressos. Pode ser um outro universo para você, mas existe vida lá. No mais saiba se colocar porque o show deve continuar, e tão melhor ele será se for feito de verdade. Sem farsas. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6967722988545203586-8021391653408206350?l=philosofurria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://philosofurria.blogspot.com/2008/05/fake-show.html</link><author>dudabastos@yahoo.com (Duda Bastos)</author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_F1LR6ChMyrM/SEDR1V6KX_I/AAAAAAAAACY/ir-Des7Yf7c/s72-c/691693_18683996.jpg' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>7</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-6967722988545203586.post-7176307670353039121</guid><pubDate>Thu, 22 May 2008 16:00:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-12-11T05:04:17.768-08:00</atom:updated><title>Mil sertões em Juraci Dórea</title><description>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_F1LR6ChMyrM/SDWc2V6KX-I/AAAAAAAAACI/kuDZYwXeNjo/s1600-h/juraci.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5203237401904439266" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_F1LR6ChMyrM/SDWc2V6KX-I/AAAAAAAAACI/kuDZYwXeNjo/s320/juraci.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Minha terra não é moça,&lt;br /&gt;Não veste vestido de renda,&lt;br /&gt;Não tem argola na orelha.&lt;br /&gt;Minha terra é menino,&lt;br /&gt;É um vaqueirinho&lt;br /&gt;Vestido de couro.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Eurico Alves – 1928&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Em casa de Juraci viramos terracota. Uma parcimônia para virginianos. Nossos gestos ficam elegantes e logo parecemos recém-saídos de gravuras, iluminados de ações delicadas. Fluem entre as cenas do seu atelier cobrinhas-lagartos, peixes e musa fugidia. Outras peças mostram vaqueiros, cantadores, romanceiros e cordéis. Na mesa vinho bom, queijos e pães fartos sem, contudo, fazer-nos esquecidos do maravilhoso salmão e bacalhau postos, logo depois, no mar daquela mesa. A prenda é da mulher: a Selma. O fundo da casa, átrio fastuoso, está em frente ao Atelier do ilustrador. E estamos assentados eu, uma sereia e Juraci com mais alguns convivas, bons falantes por sinal – quando falavam. Os sabores dividiam ações. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Feira de Santana fica a cento e poucos quilômetros de Salvador e recebe esse nome porque a cidade cresceu de uma antiga encruzilhada de rotas comerciais. Mas ainda é lugar de escambos alternativos ou clandestinos. Antes de chegar a Salvador, fora algumas trilhas perdidas por aí, chega-se primeiro à Feira de quinhentos e pouco mil habitantes. Juraci Dórea vem da Feira de 1944 e já viu muita coisa mudar nessa vida. É artista de décadas com um acervo raro e o passaporte de diversas nações que receberam suas obras em exposições e bienais, principalmente no Velho Mundo. O que fica renitente, desde aquela data, são os humildes vaqueiros e as lamparinas de óleo das gravuras. Eleva a estética das Xilogravuras reproduzindo outro canal de desenho, às vezes mais asseado e caricato. Mas lembra a Xilo. Pra mim uma ars nova de sinestesias: dá pra sentir o cheiro das coisas apenas olhando. Fumaça de lamparina, o couro quando molha, aroma da caatinga e o ar quente reproduzindo cores do céu. Mesmo apesar da peça ser em branco e preto. Às vezes tem outra cor ou é colorida.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Meu primeiro contato com a obra de Juraci veio em 2004 pelo caderno-livro do LP “O Auto da Catingueira” de Elomar Figueira Mello, de 1984. Juraci autora as imagens da capa. Em seguida, a convite de Simone Guerreiro, fiz a direção de arte do seu livro sobre o cantador Elomar utilizando algumas de suas ilustrações. A peça caiu muito bem na crítica de todos os autores envolvidos, o que foi suficiente. Não é, de certa forma, difícil produzir algo bom possuindo esses dois cavaleiros: Juraci e Elomar. Dois Don Quijotes figurados no campo branco&lt;/span&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn1" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6967722988545203586#_ftn1" name="_ftnref1"&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#cc9933;"&gt;[1]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; do Brasil. E Simone Guerreiro arremata o texto.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Amontoados de telas e uma grande mesa sustentam várias coisas no seu atelier. Livros, cadernos, pinturas, canetas e em outra bancada o computador. A máquina organiza sua vida laboriosa com as planilhas de quadros e respectivos preços. Algo importante para seu marketing mas a vida de suas telas não parece nada com isso. É pobre, simples, festeira e generosa. Juraci é uma generosidade ambulante. Oferta o que é possível, e o que não é, fica justamente por conta do pão de cada dia, da reforma da casa, das criaturas filhos que tem que prover. Ah se a vida fosse de graça, Juraci seria pão e circo. Ganhei de presente, por sinal, neste dia, dois livros. Um sobre ele – Memória em Movimento. O sertão na Arte de Juraci Dórea - e outro sobre um poeta de Feira de Santa – A Poesia de Eurico Alves – ambos de Rita Olivieri-Godet . Quando recitei “Minha Terra”, era tão bonito que, fiquei sem graça. Foi logo depois da chuva quando migramos para dentro do Atelier. Eurico está memorizado por esta escritora que permeia o mundo mexendo entre mortos e vivos, mas todos próximos. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Aguardo novos ares e encontros, da próxima vez com o agrado de canções. É algo que não dá para separar daquela ambiência dos tijolinhos aparentes da casa de Juraci do frescor da fenda entre o fundo da casa e o atelier e o calor humano de sua tenda artística. É algo bem sabido pelo próprio Elomar, Xangai, Simone e tantos outros. Mas levarei violão e canções, como quem leva tinta e pincel pra fazer umas telas por lá. Lá no fundo daqueles mil sertões, que é a casa de Juraci Dórea.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn1" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6967722988545203586#_ftnref1" name="_ftn1"&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#cc9933;"&gt;[1]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; Caatinga, sertão.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6967722988545203586-7176307670353039121?l=philosofurria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://philosofurria.blogspot.com/2008/05/mil-sertes-em-juraci-drea.html</link><author>dudabastos@yahoo.com (Duda Bastos)</author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_F1LR6ChMyrM/SDWc2V6KX-I/AAAAAAAAACI/kuDZYwXeNjo/s72-c/juraci.jpg' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>4</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-6967722988545203586.post-6347610558200210995</guid><pubDate>Sun, 11 May 2008 22:40:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-05-11T17:39:50.726-07:00</atom:updated><title>A Deposição do Folclore</title><description>&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Não há coisa mais horripilante do que fazer a apologia da cultura popular, ou da cultura proletária ou sabe-se lá o que desta natureza. Há processos de singularização em práticas determinadas, e há procedimentos de reapropriação, de recuperação, operados pelos diferentes sistemas capitalísticos. Félix Guattari&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Ensejo&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Perdoem-me inicialmente pela gramatologia. Esse lagar densificado de termos, esse átrio imenso de falas poéticas, acadêmicas e desestruturadas, território de tantas expressões inventadas, e hora, melhor aproveitadas.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Os estudos culturais tornaram-se alvos de complexos ataques e debates intensos a cerca de conceitos que propagam idéias e defendem causas como se essas fossem tramas religiosas. O que proponho nesse pequeno texto não é isso. Ofereço, pelo contrário, certa dessacralização de termos, retirando da escravidão objetos e assuntos esmagados por determinadas menções e falas populares. Alguns desses conceitos estão enroscados de tal forma nas produções artísticas e em seus autores que a simples menção de si mesmos, ou representação, em relação a esses termos já estabelece um circuito fechado. Dizer-se ator de algo “proveniente de”, “essencial de” ou “pertencente a” traz precipitada territorialização e em seguida restrições desnecessárias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por exemplo, muito se fala em música regional. O inscrito “Regional” é um território complexo, ficcioso, nas palavras do sociólogo Pierre Bourdier, um espaço destinado a uma falcatrua dos espaços. A etimologia da palavra região (regio), tal como a descreve Emile Benveniste&lt;/span&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn1" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6967722988545203586#_ftn1" name="_ftnref1"&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#cc9933;"&gt;[1]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;, conduz a princípio da divisão, ato mágico, quer dizer, propriamente social, de diacrisis que introduz por decreto uma descontinuidade decisória na continuidade natural. Dessa forma, é possível retratar até uma expressão artística urbana como Regional. Tal definição de música Regional tornou-se lugar comum no ambiente das mídias. É quase uma luta entre identidades étnicas ou propriedades (estigmas ou emblemas) ligadas às origens através do lugar de origem dos sinais duradouros que lhes são correlativos, como sotaque, costumes, gestos, etc. São poderes simbólicos e tentativas de demarcações invisíveis. Mas então o que existe? Apenas expressões artísticas de culturas específicas. Muitas delas tem títulos interessantíssimos, tais como Mangue Beach, Cantoria Nordestina, Nova Cantoria, Música Caipira, etc. Assim como Bossa-nova é Bossa-nova. Daí, em grande parte, o regional é considerado como tudo aquilo que está fora do âmbito dos circuitos dos grandes centros ou cidades e é disponível apenas em mídias alternativas ou em iniciativas de apoios governamentais, como projetos e eventos de patrocínio a culturas artísticas e suas variadas manifestações.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;Outro desconforto gira em torno do termo Folclore e tudo que este agrega. São complicados certos conceitos e práticas consideradas como “cultura nacional”, folclore, identidades, música popular, música regional e de raiz na identificação dos artistas e suas culturas artísticas. São todos termos etnocêntricos e desvirtuados da cena viva. Folclore por exemplo é uma invenção reacionária e valorativa. Um dos que mais tentam salvar o termo é Antônio Gramsci (filósofo e comunista) com abordagens fluentes, mas até então, para mim, não reagentes.&lt;/span&gt; &lt;span style="font-size:85%;"&gt;Diante de tais práticas, não é incomum observar comportamentos etnocêntricos que amplificam o grau da cultura-valor e expõem as expressões artísticas provenientes de ambientes diversos a um nonsense colonial (BHABHA). &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;O termo "folclore" compreende valores e noções que comprometem elementos importantes da alteridade e que são contraditórios na representação do objeto. Um desses principais problemas está na exotização das culturas. As idéias ou aspectos conceituais do folclore tecem conjunto de valores que servem como cenário para esquisitismos e exotismos, os quais, por sua vez, deixam rastros de falsas evidências sobre aspectos intrínsecos das culturas artísticas, principalmente em estudos que investigam tais manifestações. Segundo Renato Ortiz&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn2" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6967722988545203586#_ftn2" name="_ftnref2"&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#cc9933;"&gt;[2]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;, configura-se em situação incômoda, e se agrava quando se sabe da preferência dos folcloristas pelo pitoresco, no qual os interesses são conduzidos para a dimensão do desconhecido, do bizarro, do curioso – “fantasmas, magias, tradições longínquas, culturas perdidas, tribos primitivas” (ORTIZ). Para o pesquisador, o folclore consiste numa “ciência menor”, que se articula à sombra de ciências legítimas tais como a sociologia, antropologia e história. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Comumente, os pontos de vista folclóricos explorados pelo conjunto social de produções culturais e da mídia atribuem valores e juízos, em grande parte, em detrimento de referências culturais ocidentais e etnocêntricas. Nesse sentido, o folclore define, segundo Canclini, os processos culturais como atividades intelectuais, restritivos a certas elites, em que, a partir de visões iluministas, exaltaram os sentimentos e as formas populares de expressão em oposição ao cosmopolitismo da literatura clássica; evidenciaram as diferenças, o valor do local, em oposição ao desprezo do pensamento clássico pelo “irracional”; trouxeram aos olhares hábitos exóticos de outros povos e de camponeses (CANCLINI). O conjunto desses argumentos termina fazendo do folclore uma disciplina que se generaliza nas expressões subalternas, orientado sob os auspícios do tato colonizador, com padrões imperialistas de enxergar as informações artísticas e culturais dos grupos rotulados como folclóricos. Uma espécie de visão do grande caçador branco sobre os costumes que se mantém quase sempre de acordo com uma tradição. O folclore trabalha segundo a concepção de “grupos de elite” que buscam despertar o povo e iluminá-lo em sua ignorância. Dessa forma, existe algo sistêmico tal como uma máquina que retroalimenta o âmbito ingênuo da cultura popular ou de raiz&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O cantador Elomar, por exemplo, está incutido em acervos ou fendas culturais que consideram origens interioranas, rurais – telúricas –, ancestrais, mas não somente. Traz universo próprio, em que se mantêm expressões e costumes sobreviventes de uma memória, mas que se posiciona, na atualidade, ligada a outros movimentos artísticos musicais, temalógicos e à indústria cultural (Elomar comercializa CD´s). Sua obra ocupa lugar específico, constituído por outros artistas - cantadores - atuantes, com características peculiares que se retroalimentam. Seus atributos culturais e artísticos não podem entrar em comparação com outras manifestações, colocando-se à margem, no plano de vítimas daqueles não acolhidos por grupos que digladiam por espaços na mídia. Elomar pertence ao movimento da "Nova" Cantoria e têm articulação com culturas capitalísticas, novas mídias, formas de produção e criação. A diferença é que ele não altera seus ideais. Ele mantém sua produção cultural preferindo vencer limites restritivos da própria indústria cultural e dos fenômenos explosivos da cultura artística de massa. Enquanto isso, nos bastidores da cultura, as concepções folclóricas ou popularescas tendem a formar posicionamentos românticos e equivocados a respeito do cenário Elomariano e dos representantes da "Nova" Cantoria, na construção de um resgate do espírito antiquário (ORTIZ) e formulações reacionárias a respeito do sujeito que ali se inscreve. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;O povo é “resgatado”, mas não conhecido (CANCLINI). &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;A intenção de divulgar esses ensaios atende a um campo dialogal desse tempo em que algumas comunidades insistem em roteirizar a dinâmica cultural dos povos e suas manifestações artísticas. Essas estruturas giram de acordo com os regimes periodistas e equivocados das análises culturais, principalmente as jornalísticas. A intenção é estender a conversação e nunca fechar os sistemas, nem possuir a certa razão. Mas sempre elucidar e abrir os campos do jogo, possibilitando outra forma de análise que desconcentra do lugar comum.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Desculpem a imensa verborréia. Amplexos malungos a todos. &lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn1" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6967722988545203586#_ftnref1" name="_ftn1"&gt;&lt;span style="font-size:78%;color:#cc9933;"&gt;[1]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt; Émile Benveniste (1902, Cairo - 1976) foi um lingüista estruturalista francês, conhecido por seus estudos sobre as línguas indo-européias e pela expansão do paradigma lingüístico estabelecido por &lt;/span&gt;&lt;a title="Ferdinand de Saussure" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Ferdinand_de_Saussure"&gt;&lt;span style="font-size:78%;color:#000000;"&gt;Ferdinand de Saussure&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:78%;color:#000000;"&gt;.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn2" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6967722988545203586#_ftnref2" name="_ftn2"&gt;&lt;span style="font-size:78%;color:#cc9933;"&gt;[2]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt; http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.jsp?id=K4781351Y1&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6967722988545203586-6347610558200210995?l=philosofurria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://philosofurria.blogspot.com/2008/05/deposio-do-folclore.html</link><author>dudabastos@yahoo.com (Duda Bastos)</author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>2</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-6967722988545203586.post-6636058535336912239</guid><pubDate>Sat, 03 May 2008 22:44:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-12-11T05:04:17.972-08:00</atom:updated><title>Macchina Fame Famulus</title><description>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_F1LR6ChMyrM/SBzz24ILj6I/AAAAAAAAABo/eqGNH2GuRaE/s1600-h/Painel-Piso-superior.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5196296194183892898" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_F1LR6ChMyrM/SBzz24ILj6I/AAAAAAAAABo/eqGNH2GuRaE/s320/Painel-Piso-superior.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;“(...) faça rizoma e não raiz, nunca plante! Não semeie, pique! Não seja nem uno nem múltiplo, seja multiplicidades! Faça linha e nunca o ponto! A velocidade transforma o ponto em linha! Seja rápido, mesmo parado! Linha de chance, jogo de cintura, linha de fuga. Nunca suscite um General em você! Nunca idéias justas, justo uma idéia (Godard). Tenha idéias curtas. Faça mapas, nunca fotos nem desenhos (...)”&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; &lt;span style="color:#996633;"&gt;Gilles Deleuze em Mil Platôs vol. 1&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Em 2006 certa dupla de empresários - Gustavo Kaufmann e Carlos Marinho (Caco) - chegaram ao antigo negócio em propaganda do qual era sócio: uma agência de publicidade. Vieram atrás de novos retratos para o restaurante (Steak House) que iriam empreender. Queriam algo aberto, inovador, amplificado, diferente. Desafiante face ao experimentalismo e tempo dispensados para desenvolver projetos como esses. Após minha sociedade desfeita continuaram sendo meus clientes. Hoje, trabalhamos construindo conceitos que são mais que idéias: são ideologias gastronômicas. O resultado inicial foi uma coleção artística de 5 painéis para o DOC que entitulei: &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Macchina Fame Famulus&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; . A seguir a descrição que apresenta as peças: &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;“A coleção dos painéis do DOC são visagens – visões e imagens – de um mundo fantástico, surreal, cômico, gastronômico, visitado, inicialmente, apenas pelo imaginário. Mas trouxe do imaginário um apanágio real, prático, visual. É só conferir na passagem ou gastando uns segundos diante deles para compreender que estão ali, apesar de fixo, móveis. Apesar de retos: profundos, tridimensionais. A coleção &lt;strong&gt;Macchina Fame Famulus &lt;/strong&gt;– um pedantismo trazido do latim, para insinuar a vaidade charmosa das palavras que preenchem a boca – ou seja, Servos da Fome e da Máquina -, propõe a aproximação, a tradução gastronômica do DOC para o estético. É puro deslumbre para os olhos, fantasia para o tempo, para a freqüência ao maravilhoso lugar preenchido pelo bem estar e finos sabores, aliciado ainda pela gravidade e rusticidade de culinária sem igual. Um cardápio exclusivos de pratos especiais e sobremesas luxuriantes. Bom apetite visual e gastronômico.”&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;A edição n° 270 de 2008 de Casa Vogue tem uma reportagem que publica esse trabalho e expõe suas principais aplicações&lt;/strong&gt; sob a arquitetura de Márcia Meccia&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn1" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6967722988545203586#_ftn1" name="_ftnref1"&gt;&lt;span style="color:#cc9933;"&gt;[1&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#cc9933;"&gt;]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="color:#cc9933;"&gt;,&lt;/span&gt; elevando ainda mais o &lt;em&gt;concept design&lt;/em&gt; da casa. A assessora de imprensa do DOC, Adriana Nogueira, recentemente me entrevistou para uma publicação que ainda não posso divulgar. Mas sob autorização de Carlos Marinho, Chef e sócio do DOC relato na íntegra a entrevista: &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;Adriana Nogueira: Como chegou até o DOC?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;O DOC chegou até mim. Eles vieram por causa de um trabalho anterior que desenvolvi para a Forneria Quintano, de quem são amigos.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;AN: Como foi construir o conceito da comunicação?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Foi denso. Um experiência de descosturas sobre coisas pré-estabelecidas. Na verdade não há nada a comunicar. Não existe uma militância pré-estabelecida para propagar idéias. É sempre a sensação, a experiência visual a partir de elementos que tem a ver com a Steak House acrescentado àqueles que reproduzem imagens de cenas e coisas cotidianas. Foi divertido também porque o conceito é muito a imagem do que os donos pensam sobre seu negócio, é um jeito de antecipar o &lt;em&gt;taste&lt;/em&gt;, os aromas, e os &lt;em&gt;design&lt;/em&gt;s dos pratos. Em grande parte eles são muito responsáveis pela empreitada das peças pois tiveram a ousadia de acreditar e aprovar as idéias.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;AN: Com quais elementos teve que romper e que outros agregou?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;A ruptura maior foi com as idéias consolidadas sobre os aspectos estéticos da gastronomia. Os empresários dessa área são muito inclinados a investirem apenas na imagem dos itens do cardápio e terminam colocando na parede os quadros dos seus pratos principais ou mais bonitos. É uma visão essencialista, óbvia. Não encanta, não provoca e às vezes sugestiona um ou outro freguês. Mas não acrescenta ou possibilita uma postura identitária, uma qualidade estética ao ambiente. Não é uma foto de comida que vai dizer que esse ou aquele ambiente representa valores, conceitos, formas de pensar, agir, produzir e etc. Os donos são jovens empresários e um deles é Chef, um artista dentro e fora da cozinha. Eles sabem o que gostam de ver. Considero que a produção estética que criei é algo que nós, eu e eles, gostaríamos de encontrar se fossemos num lugar como o DOC.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;AN: Sua inspiração?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Tantas. O conceito da arte do DOC passeia entre o surrealismo – pertencente em grande parte aos movimentos de vanguarda – e o fashionismo contemporâneo, uma arte mais suja, erótica, retalhada, fusionada. Artistas como Frida Khalo, Pablo Picasso e David Carson se juntam nessa história. Mas acho que são passeios que terminam num estilo pessoal. Tem ainda a inspiração mais importante que é a filosófica. A expressão artística do DOC é repleta de agenciamentos maquínicos, reflete sobre a máquina e a tecnologia que atravessa a vida humana, mesmo enquanto este se alimenta. Na verdade o homem só interrompe a máquina para se alimentar. Mas continua sendo máquina porque já está corrompido, atravessado por esta e não se sabe mais o que é homem ou outra coisa. Dá pra entender? Risos. A isso o filósofo Deleuze chama Devir ou Devenir, que nada mais é do que um “tornar-se” ou “vir a ser” parte daquela outra coisa. Em outro contexto sempre me faço uma pergunta: “qual o propósito desse negócio?”, “Será que é vender comida?”. Cada um pode ter a sua pergunta e resposta e eu tive as minhas: “o DOC não existe apenas para fornecer um cardápio sensacional, ele existe para nos retirar do tédio da televisão”. É uma resposta insana, mas é a que eu vi quando criei o conceito. Sair de casa para ir ao DOC tem que dar mais prazer do que apenas a gastronomia, é um apanhado de circunstâncias que me animam inclusive a voltar. É um chamado ao encontro, ao prazer, ao avesso de toda preguiça.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;AN: Como adequar a comunicação visual ao conceito do próprio restaurante, algo novo em Salvador, e ainda atender às expectativas dos sócios?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Acho que tudo que se faz em comunicação visual está muito banalizado na cidade. Tudo agora é chamado de sinalização ou comunicação visual. Se se faz uma placa, um letreiro ou banner chama-se isso de campanha publicitária, de comunicação visual. Eu não faço comunicação visual, eu faço peças artísticas, sem nenhuma necessidade de comunicar algo ou interpretação. E as vezes faço propaganda. Eu trabalho na perspectiva das sensações, é bem diferente, é mais forte, mais vivo, mais rentável para quem contrata. Ganhar impressões é a melhor coisa para peças publicitárias. A opção e desejo de compra sempre está no coração do consumidor. Nos seus afetos. Acho que muitos empresários desse setor ainda não acordaram para isso. Um dia desses eu presenciei uma cena muito interessante, uma pessoa posando ao lado do painel &lt;em&gt;Coffea Crepuscular&lt;/em&gt; (Crepúsculo do Café) para tirar foto. Acho que isso disse tudo sobre o que ela achou da casa. Acho que é o arremate da satisfação, depois da boa comida, uma boa lembrança para levar.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;AN: O que quis provocar e despertar nos clientes do DOC?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Fulgor, sensualidade, caos, cotidiano, alegria, clandestinidade, poesia, gravidade, suavidade, estesia, vigilância, humorismo, crítica. Mas com certeza já devem ter sentido muita coisa diferente disso.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;AN: Sempre teve liberdade de criar assim?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;No caso do DOC sim. Em relação a outros trabalhos nem sempre, mas também sempre dei um jeitinho de forçar um pouco a barra e mudar o rumo do processo. Na maioria das vezes consegui, outras não. Mas o tempo as vezes mostra que posso estar certo e daí refazemos os conceitos. Dá pra entender? Outros trabalhos tem uma natureza mais fechada, sem essas possibilidades, pois pertencem a setores mais austeros, corporativos. Mas se tiver uma pessoa aberta do outro lado, tudo muda.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;AN: O que mais quiser acrescentar.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Nada mais a declarar. O resto está lá, tem que conferir.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn1" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6967722988545203586#_ftnref1" name="_ftn1"&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#996633;"&gt;[1]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; http://www.marciameccia.com.br&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6967722988545203586-6636058535336912239?l=philosofurria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://philosofurria.blogspot.com/2008/05/macchina-fame-famulus.html</link><author>dudabastos@yahoo.com (Duda Bastos)</author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_F1LR6ChMyrM/SBzz24ILj6I/AAAAAAAAABo/eqGNH2GuRaE/s72-c/Painel-Piso-superior.jpg' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>1</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-6967722988545203586.post-9152805632049678166</guid><pubDate>Fri, 25 Apr 2008 20:26:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-12-11T05:04:18.223-08:00</atom:updated><title>Gildes Bezerra, voz do verso e do avesso.</title><description>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_F1LR6ChMyrM/SBJAh4ILj0I/AAAAAAAAAA4/UhhpTG1g0HE/s1600-h/Gildes.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5193284271058161474" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_F1LR6ChMyrM/SBJAh4ILj0I/AAAAAAAAAA4/UhhpTG1g0HE/s320/Gildes.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;em&gt;Talvez você não o conheça, &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;em&gt;mas ele sabe muito bem quem é você &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;em&gt;e o que se passa aí dentro.&lt;/em&gt; &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;O rosto brame rugas e ainda os cabelos, contorno branco do rosto, espelham perfeitos os setenta e poucos anos. Ao telefone, de pausa em pausa, respeitando o assunto, tranquilamente desmantela seus temas, e, daqui a pouco um poema interfere nossos campos falantes. Assim é um oco do tempo quando a conversa é com Gildes. Uma das melhores coisas da face da terra. Deveria existir um guia para isso assim como aquela publicaçãozinha dos “1000 lugares para conhecer antes de morrer”. Mas Gildes Bezerra, poeta mineiro, nascido na Paraíba e formado em Horticultura é um pequeno castelo para ser visitado. Seu principado de textos dá mais piedade e êxtase que literatura modalizada. Chego a ter pena do amor depois que este é vitimado por seus versos, chego a ficar sem graça depois de cada poema. Mas que final? Não acaba. E quando seus versos viram canções nas mãos de mestres cantadores! Nos´inhora! &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Em 1999 ouvi o Cantigas de Abraçar&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn1" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6967722988545203586#_ftn1" name="_ftnref1"&gt;[1]&lt;/a&gt;. Almanaque musical duplo e ontológico de Dércio Marques. Uma obra musical que torna possível múltiplas existências. No acervo do CD 3&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn2" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6967722988545203586#_ftn2" name="_ftnref2"&gt;&lt;span style="color:#cc9933;"&gt;[2]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; canções que me apresentaram o texto de Gildes. Foram chaves que abriram outras portas da minha vida. Sem brincadeira. É uma face da língua portuguesa anexada aos sentimentos humanos burilada na forma artística e que respondem ao mais profundo de nossos interesses. Gildes é um artesão do belo, um modelador de sentimentos, um espelho para a natureza que está dentro e fora de nós. É perito em coração, saudades e luas.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Minas da Lua&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;em&gt;(Gildes Bezerra)&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;A lua nasce do ventre de Minas&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Entre colinas e quaresmais&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;E eu ponteio a viola enfeitada&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;De fita encarnada&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Pra lua escutar&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Tambem as serras de Minas são belas&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;E são tão altas que de cima delas&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Deus olha a terra&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;E a lua que banha as belezas Gerais&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;E com certeza o céu e o chão&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Daquele sertão&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Que e Minas de lá&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;E as estrelas no céu são boiadas&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Que de madrugada&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Repastam a paz&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;De noite Minas se enfeita de prata&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Se esta no cio, se deita na mata&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;E então beija o céu&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Fica prenhe de lua, de luz de luar&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Eu sei que Rubem Alves&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn3" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6967722988545203586#_ftn3" name="_ftnref3"&gt;&lt;span style="color:#cc9933;"&gt;[3]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="color:#cc9933;"&gt;,&lt;/span&gt; este famoso e digno autor, pediu a Gildes versificação para alguns de seus livros e que Ivan Vilela&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn4" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6967722988545203586#_ftn4" name="_ftnref4"&gt;&lt;span style="color:#cc9933;"&gt;[&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#cc9933;"&gt;4]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="color:#cc9933;"&gt;,&lt;/span&gt; exímio artista, fez música a partir destes. Fico honrado e orgulhoso por Gildes. E também por tantos outros grandes artistas que são parceiros dele&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn5" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6967722988545203586#_ftn5" name="_ftnref5"&gt;&lt;span style="color:#cc9933;"&gt;[5]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="color:#cc9933;"&gt;.&lt;/span&gt; No começo deste ano, em 2008, fizemos uma canção. Essa moda chegou num momento próprio, a vida dava retrato à metafísica desse poema. Daí fiz a canção e co-autoramos:&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Tempo Nublado&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;(Duda Bastos/Gildes Bezerra)&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;A chuva fina e um coração faminto&lt;br /&gt;Corre o perigo de ser infeliz.&lt;br /&gt;Um sonho embriagado de absinto&lt;br /&gt;Canta o silêncio, porém nada diz.&lt;br /&gt;Ai quem me dera que o sol chegasse&lt;br /&gt;E iluminasse um coração faminto&lt;br /&gt;E este ontem que, quando passasse,&lt;br /&gt;Levasse a dor que dói e que eu não sinto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E este amanhã que já não sei se existe&lt;br /&gt;Não ilumina um coração faminto.&lt;br /&gt;E a velha lua nova sempre insiste&lt;br /&gt;Em pouco alumiar o labirinto.&lt;br /&gt;Ai quem me dera morta a angústia viva&lt;br /&gt;Que quando mais aflora mais se enfronha&lt;br /&gt;Nessa descrença que se torna ativa&lt;br /&gt;Quando se luta mais do que se sonha.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;A poesia é muito difícil. É um dilema da percepção. Está aglutinada em compreensões complicadas. Nossas culturas não são irmãs da poesia, elas são irmãs dos balanços, da ginga do corpo. Para ler ou ouvir poesia é preciso tato e retrato. É como disse Gildes: precisa dois poetas, precisa um que escreve e outro que lê. Precisa do espírito de poeta, se transportar a um estado de poesia. E conta que Chico Buarque disse um dia: “se um artista precisa explicar a sua obra a alguém, um dos dois é burro”. Na minha opinião Gildes é simples. Não é poesia concretista ou lisérgica. Mas é insana. É amorosa e fotografa os campos culturais do Brasil e dos afetos humanos. Ele é simples porque transparece em poucas linhas certas complexidades da vida.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Cissiparidade&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;(Gildes Bezerra/Nestor de Hollanda)&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Cantaram canções doloridas&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;calaram seus cantos depois &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;se emudeceram sem vida &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;se dividiram em dois.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Saciaram na mesma nascente &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;a sede que o ventre dispôs &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;se desgarraram da fonte &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;se dividiram em dois.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Ouviram as mesmas histórias &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;do livro que o sonho compôs &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;fecharam as suas memórias &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;se dividiram em dois.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Jantaram a mesma incerteza &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;comeram ciúme co'arroz &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;se levantaram da mesa s&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;e dividindo em dois.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Choraram os rumos partidos &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;que o tempo jamais recompôs. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Seguiram caminhos doídos &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;despedaçados em dois.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Gildes seguirá assim, pousando em leves tintas, pinicadas de canetas e teclas sobre o papel de suas memórias, cabedal de estrelas. Descrevendo o céu ou desmanchando alguém nos participará sua amizade e gosto pelo ser, isso que só lhe custa oxigênio, alma e outro bem: a palavra, linda, tácita, sem a qual nem...Tristezas em trago. Amor aos pedaços. Dor que move o mundo, parte do atraso. Enquanto para nós seu principal tema, por enquanto, é viver. Viva Gildes!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn1" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6967722988545203586#_ftnref1" name="_ftn1"&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#cc9933;"&gt;[1]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; http://cliquemusic.uol.com.br/artistas/artistas.asp?Status=DISCO&amp;amp;nu_disco=6422&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn2" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6967722988545203586#_ftnref2" name="_ftn2"&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#cc9933;"&gt;[2]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Ou... me ensine (Gildes Bezerra – Luiz Celso de Carvalho), Minas da lua (Gildes Bezerra) e Cânticos (Gildes Bezerra – Dércio Marques)&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn3" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6967722988545203586#_ftnref3" name="_ftn3"&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#cc9933;"&gt;[3]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; Conheça Rubem Alves: http://www.rubemalves.com.br/&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn4" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6967722988545203586#_ftnref4" name="_ftn4"&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#cc9933;"&gt;[4]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; Conheça Ivan Vilela: http://www.ivanvilela.com.br/&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn5" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6967722988545203586#_ftnref5" name="_ftn5"&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#cc9933;"&gt;[5]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; Gildes tem músicas em co-autoria com: Amaury Falabella; Amaury Vieira; Arlindo Maciel; Cristina Diniz; Cylene Araújo; Clóvis Maciel; Dércio Marques; Fernando Salomon Bezerra; Gereba; Ivan Vilela; Kátya Teixeira; Luiz Celso de Carvalho; Marcos José Marques Machado; Marcos Leite; Ir. Miria Kolling; &lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.nestordehollandacavalcanti.mus.br/"&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#000000;"&gt;Nestor de Hollanda Cavalcanti&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;; Pereira da Viola; Plínio Ribeiro Leite; Renato Kefi; Rubinho do Vale; Uíles de Morais; gravadas por: Ivan e Pricila; Grupo Sol; Clóvis Maciel; Luiz Celso e Jorge Murad; Déo Lopes e Paulinho; Pedra Azul; Rosane Reis; Rubinho do Vale; Lucinha Bosco; Dércio Marques; Saulo Laranjeira; Uíles de Morais; Pedro Lima; Pereira da Viola; Titane; Ruth Staerke e Laís Figueiró; Coral Madri’Art; Pe. Vanildo; Pe. Jonas Habib; Ponto de Partida (Grupo Teatral) e Coral da Ir. Míria Kolling.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6967722988545203586-9152805632049678166?l=philosofurria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://philosofurria.blogspot.com/2008/04/gildes-bezerra-voz-do-verso-e-do-avesso.html</link><author>dudabastos@yahoo.com (Duda Bastos)</author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_F1LR6ChMyrM/SBJAh4ILj0I/AAAAAAAAAA4/UhhpTG1g0HE/s72-c/Gildes.jpg' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>9</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-6967722988545203586.post-2551347333649700140</guid><pubDate>Sat, 19 Apr 2008 19:34:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-04-21T16:29:17.351-07:00</atom:updated><title>Ensaio sobre o equívoco (ou Das inúmeras bobagens daquele filósofo)</title><description>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Esbulho à entrevista&lt;/span&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn1" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6967722988545203586#_ftn1" name="_ftnref1"&gt;&lt;span style="font-size:130%;color:#cc9933;"&gt;[1]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt; de André Comte-Sponville à Revista Época&lt;/span&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn2" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6967722988545203586#_ftn2" name="_ftnref2"&gt;&lt;span style="font-size:130%;color:#cc9933;"&gt;[2]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;“ As moscas da Praça Pública (...) A praça pública está cheia de solenes bobos e a multidão vangloria-se dos seus grandes homens; neles saúda os senhores da hora presente (...) Não ergas a mão contra eles. São inúmeros; o teu destino não é tornares-te enxota-moscas.”&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;“Assim falava Zaratustra” F. Nietzsche&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Naquelas horas, em Brasília, para aplacar o tédio, posto que estivesse num banco duro de um pequeno parque, eu contemplava algumas pessoas de idade e outras esquisitas a passear seus cachorros horríveis&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn3" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6967722988545203586#_ftn3" name="_ftnref3"&gt;&lt;span style="color:#cc9933;"&gt;[3]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="color:#cc9933;"&gt;.&lt;/span&gt; Possuía também, minutos depois, meu cachimbo e uma revista Época daquela semana. O frio era ameno e eu fazia hora numa das pequenas praças-jardins de um dos blocos de prédios. Tinha tempo de sobra para ler a Época, embora ela não merecesse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deparo-me, assim que começo ler, com assertivas missionárias resolvíveis para a “felicidade”. A empreitada parte desse indivíduo considerado pela revista “um dos mais respeitados filósofos e ensaístas da atualidade”. Não tenho nada a ver com seus méritos, são todos dele. No entanto, minhas tripas reclamam no mesmo instante que leio o entrevistado colocar em seu precípuo exórdio&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn4" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6967722988545203586#_ftn4" name="_ftnref4"&gt;&lt;span style="color:#cc9933;"&gt;[4]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; respostas a perguntas, quase menos capazes, pistas e fórmulas para a “felicidade”. Em meandros diz que a felicidade é uma busca filosófica e possível de ser encontrada. Uma afirmação, na minha avaliação, demente. Parece uma conjectura Coelhiana &lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn5" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6967722988545203586#_ftn5" name="_ftnref5"&gt;&lt;span style="color:#cc9933;"&gt;[5]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;de saberes beirando os acervos místicos dos templários ou feiticeiros. Ou quase isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comte-Sponville, em suas respostas, faz da felicidade uma busca filosófica. Para ele a felicidade se comporta como algo possível a ser encontrado no final de um processo. Ele parece pragmatizar – ou plastificar - um ideal humano. É óbvio que a felicidade converte-se num ideal pois habita no campo das idéias. A felicidade é uma ideologia. Para ele é como se fosse um produto. E é viável seguir uma idéia, ou o conjunto destas, que podem proporcionar a felicidade. Esse filósofo convoca elementos simbólicos que apóiam algumas ideologias mal inscritas em campos de felicidade. São modelos muitas vezes reacionários, capitalísticos que embromam a temporalidade da vida. Potencialidades morais. Tais poderes pregam sensos comuns e atuam em produtos valorativos tais como o modelo de família, imbecis felizes, ateísmo, riquezas, etc. A dificuldade de André está no campo valor daquilo que implica uma construção específica do Ideal de felicidade. O discurso é positivista e pessoal. E existem milhares de seres matriculados nessa forma de vida. Ele, de certo modo, está certo enquanto são em sua maioria, na sociedade, os seres massacrados sob a égide de emoções pré-fabricadas. Adeus a singularidades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em uma de suas passagens revela que a esperança é um agravante para se encontrar a felicidade. Como se esta estivesse por aí perambulando, podendo ser descoberta a qualquer instante. Um produto de vitrine para ser adquirido por certa quantia, desde que se possa pagar. O autor ensurdece com seus formulismos de felicidade. Para ele a esperança é um achado de apenas desejar o que não se tem: “porque só esperamos o que não temos”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Respiro com dificuldade. Esperança não é isso. Não está na dinâmica da posse. O fenômeno da expectativa é um dado desse processo de acordo com uma das principais virtudes do ser: a paciência. Trata-se da natureza expectante do indivíduo absorto numa sociedade de lutas para viver ou sobreviver. O homem expectante aguarda otimismos e vontades que o estimulam a continuar. Mas, continuar a quê? Inicialmente ao aprendizado que nutre esse processo. E não ao propósito enfadonho por resultados, pelo tesouro escondido, pela cura. A felicidade para esse materialista mais parece um produto enlatado escondido atrás de um rótulo. Esperar é uma profunda experiência humana. É um sabor audacioso e em certos casos uma questão fatídica.&lt;br /&gt;Por detrás de seu ateísmo revela símbolos sincréticos que falseiam o amor como algo imbricado na reificação, algo solto no espaço, algo de vínculo apenas orgânico. Faz do amor uma propriedade fisiológica como se pertencesse ao metabolismo do corpo. Comte-Sponville trata ainda a fé como elemento desestruturador psicológico. Quando na verdade as experiências mostram algum contrário . Em outros casos o cárcere dentro de uma religião e a libertação desse torna-se uma experiência que faz do ser um minerador ao centro de suas convicções e o capacita a tornar-se apto a descobertas (partidas e retornos). Ao mínimo uma compensação sensata: o que aconteceria sem a fé? A sociedade talvez mergulhasse na barbárie. Outras vezes, acho, isentos de fé; as ocupações guerrilheiras, seqüestros - relâmpago e balas perdidas; pareceriam brincadeiras infantis. E ainda: o capitalismo tsunami acabando em poucos segundos com iniciativas decanas ou seculares de negócios. E mais a sociedade “viking” compeliria os seres a subjugar pela força. A fé parece equilibrar a equação estabilizadora da sociedade tendenciosamente maniqueísta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou cético em relação ao tecido social sem articulação espiritual. Sem a metafísica a humanidade fica óbvia. Mas falo também ao deslocamento pelo divino em atos e incursões a um ser superior. Ao se pensar na dimensão do seu próprio corpo, os ateus imaginam que o elemento vital parece sustentar-se ou por princípios físicos ou mágicos. Vamos escolher? Outros ateus, descrentes pesados, encontram assertivas menos industriais ou publicitárias, mas é visível que Comte não escreva livros, e sim os fabrique. Tal como o seu “O Pequeno Tratado das Grandes Virtudes “, uma bobologia operante que pretende adestrar pessoas para o bem. A cada minuto surge um novo Cristo, Buda ou Maomé. Nada novo sobre o sol. Este livro é mais perto de uma ditadura mascarada em publicação de cabeceira para pessoas mal-amadas. Mas também qual o problema em ser mal amado? Vamos discutir as culpas e traçar um projeto de conversações sem fundamentos. Leia “Ecce Homo” de Nietzsche. Aliás leia os dois. A postura caudatária de André a Frederic chega a ser imoral frente as cópias e deturpações que faz desta lúcida obra e (de quebra) de tantas outras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Retire o espírito do homem – talvez até o espírito hegeliano&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn6" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6967722988545203586#_ftn6" name="_ftnref6"&gt;&lt;span style="color:#cc9933;"&gt;[6]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; - e ele desmoronará. Coloque essa lei, fundamente os atos que agirão em função de idéias moralistas e crendices morais e convocaremos o terrorismo no corpo, mente e sociedade. Expurgo os clichês com os quais esse filósofo se diverte. Não é problema pensar a felicidade, mas é terrível fazer uma enciclopédia de modelos desta para os outros. Assim como a publicação de auto-ajuda é uma farsa. A televisão é mais edificante, um filme de Holywood até. Melhor seria se ele apagasse suas pegadas. Isso não vai acontecer, pois ele lucra fantasticamente sob a roupa de filósofo. Ele é um homem esperto e feliz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn1" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6967722988545203586#_ftnref1" name="_ftn1"&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#cc9933;"&gt;[1]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; A entrevista pode ser encontrada em http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EDG76063-6014,00-A+CONSOLACAO+DA+FILOSOFIA.html&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn2" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6967722988545203586#_ftnref2" name="_ftn2"&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#cc9933;"&gt;[2]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; Revista Época n° 450, janeiro de 2007.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn3" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6967722988545203586#_ftnref3" name="_ftn3"&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#cc9933;"&gt;[3]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; Triste o costume de se criar poodles e cachorros em miniatura que mais parecem ratos. Essas pragas brancas e cardíacas infestaram o planeta transformando-o num verdadeiro mundo-cão. Desculpe o criticismo exagerado. Perco o(a) amigo(a) mas não perco a piada.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn4" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6967722988545203586#_ftnref4" name="_ftn4"&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#cc9933;"&gt;[4]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; Aquilo que antecede ao discurso. Ver o esquema aristotélico do discurso.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn5" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6967722988545203586#_ftnref5" name="_ftn5"&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#cc9933;"&gt;[5]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; Paulo Coelho, criador de contos-de-fadas para adultos infanto-juvenis.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn6" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6967722988545203586#_ftnref6" name="_ftn6"&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#cc9933;"&gt;[6]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; Uma esfera última do pensamento humano. É no espírito que está a sua fonte. Mente, para Hegel, se distingue do espírito. Somente o homem, como ser pensante, é capaz de produzir sentidos de beleza. Na verdade, o espírito direciona-se para a existência individual do homem através de seus devenires. O espírito absoluto é uma das necessidades de entendimento do mundo por intermédio de seus aspectos ou arquétipos gerais, que, entretanto precisam de um encaminhamento para o individual. A arte faz essa mediação de forma sublime. O espírito absoluto adquire vida no nível da generalização: pensamos sempre abstratamente e, no entanto, sentimos individualmente. Trecho adaptado da Idéia e o Ideal, de Estética. Coleção Os Pensadores e do texto de Elba B. R. da publicação Cantoria Nordestina: música e palavra. &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6967722988545203586-2551347333649700140?l=philosofurria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://philosofurria.blogspot.com/2008/04/ensaio-sobre-o-equvoco-ou-das-inmeras.html</link><author>dudabastos@yahoo.com (Duda Bastos)</author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>3</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-6967722988545203586.post-7471460347340624892</guid><pubDate>Fri, 11 Apr 2008 05:02:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-12-11T05:04:18.471-08:00</atom:updated><title>Luiz Britto, letras e tintas</title><description>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_F1LR6ChMyrM/R_7xqTX80FI/AAAAAAAAAAw/4zNgtMEAqHY/s1600-h/small_Dad_Exhibit_1_crop_comp_.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5187849529834917970" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_F1LR6ChMyrM/R_7xqTX80FI/AAAAAAAAAAw/4zNgtMEAqHY/s320/small_Dad_Exhibit_1_crop_comp_.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Vivo desse modo e é como vivo.&lt;br /&gt;Eu só trabalho com achados e perdidos.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Clarice Lispector&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Aos visitantes, ouvidores e amigos, uma seara de ventos diurnos – posto que nessas noites de abril quase nada sopre – invadem o simples adentrar da minha sala. Sorrisos rubis se abrem no mesmo instante que os olhos cavam a estética mais vibrante desse lugar: o painel de dois e sessenta por um e quarenta metros. É um casario meso-impressionista, alicerçado em cores vivas e terrais. Pintado a encomenda para uma nova casa que tive, veio em tela viva para ser crucificado ali mesmo. Exposto não decora o ambiente, o quadro tornou-se o ambiente e o resto o adorna. Só descobri meses mais tarde que o painel guardava um autógrafo com dedicatória.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Luiz Britto é baiano de Salvador, tem 65 anos, seus quadros são em algumas centenas, dezenas de esculturas e seus livros 50. De longe um dos pintores mais frondosos e vérvicos que conheço. Exímio baterista de jazz e pinicador de piano – como a si mesmo reclama – gosta de sentar e conversar. Prefere fazer chacota simples com as mazelas sociais e manda desavisados, que levam cachorros para o coco na rua, criarem cavalos no apartamento. Um jeito elegante de mandar os cachorreiros se foder. Isso está lá na calçada, pregado numa pedra. Em outra época havia uma placa de madeira pintada à mão com os mesmo dizeres. E em outra: “Abaixo o som, Kombi de frutas” e eu numa passada rápida de olhos lia “Abaixa o som, filhos das putas”! São retratos simples cheios de humorismos que abrigam o empedernido e sincero olhar de Luiz para a rua que passa. É lenda viva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em outras épocas, cansado da velocidade dos carros na pacata Rua Recife no Jardim Brasil, reclamava às autoridades. Elas nada faziam, mas ele sim. Construiu quatro quebra-molas num trecho de menos de 100 metros. Para suplício dos carros de passeio e divertimento da garotada – sim, eu era um deles – nos anos oitenta que ficavam a postos dentro do ônibus escolar para pular quando passasse pelas quatro pequenas muralhas. Atrasava a viagem, mas era estranhamente delicioso. Nem imaginava que conheceria, um dia, o autor dos mesmos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O escritor e menestrel é envolto, em refúgio urbano, numa das últimas casas pitorescas da Barra. É uma pequena casa, obscura e atravessada por diversas interferências dos dons do artista. Uma simples mata desconvida, de certa maneira, qualquer intruso, mantendo a privacidade da família. Produz intensamente depois que se alforriou de um trabalho cívico, metódico e rotineiro. Aposentou-se para começar a trabalhar de verdade. Por esses dias finalizou o seu 50° livro. Um número muito à frente dos grandes literatos brasileiros. Mas, apesar de seus números, pouca gente o conhece. Alguns gatos pingados, artistas e intelectuais o sabem. Luiz é, dessa forma, um artista embrionário no acervo popular do Brasil. Habita uma fresta perdida, vive numa ninguendade aquém da sua importância para a pulsação histórica da arte contemporânea que acrescenta ao acervo do País. Mas talvez este seja o lugar mais importante para ele: o silêncio. Pelo menos por enquanto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A pé, generosamente, leva os novos lançamentos para as bibliotecas e universidades, tal como os retirantes em busca de água, só que desta vez ele é a fonte. Em Nova York e outras cidades americanas seus livros ocupam estantes das mais conceituadas bibliotecas universitárias. Suas tentativas buscaram as livrarias daqui, mas veio, em seguida, um resultado ínfimo de projeção. De vendas não sei. Então vai de grão em grão buscando expandir seu universo, mostrando as suas fazendas de esperança. Britto é mais difícil num lugar muito pobre como a Bahia. É praticamente impossível para as mentes lavadas com a água suja da televisão. A TV não é o diabo, suas emissoras é que o são. Inviável para as elites que gostam mais de um sofá do que uma exuberante tela. Chato para a juventude - que sabe apenas escrever o próprio nome.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda lhe resta o nome no conjunto dos pintores mais diferenciados da cidade. As galerias o sabem. Ainda lhe cabe a consideração e apreciação dos grupos que fazem parte e trabalham pela sua mídia de gueto. Pelo menos ainda lhe resta muita saúde pela frente: não vai parar tão cedo. Mas parou de jogar água nos vizinhos barulhentos. Uma grande pena!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6967722988545203586-7471460347340624892?l=philosofurria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://philosofurria.blogspot.com/2008/04/luiz-britto-letras-e-tintas.html</link><author>dudabastos@yahoo.com (Duda Bastos)</author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_F1LR6ChMyrM/R_7xqTX80FI/AAAAAAAAAAw/4zNgtMEAqHY/s72-c/small_Dad_Exhibit_1_crop_comp_.jpg' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>8</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-6967722988545203586.post-5203438006273017436</guid><pubDate>Sun, 06 Apr 2008 12:19:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-12-11T05:04:18.704-08:00</atom:updated><title>Favelinhas Educacionais.</title><description>&lt;p align="left"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_F1LR6ChMyrM/R_jBv8anSzI/AAAAAAAAAAo/67TyykrTREw/s1600-h/Paulo-Freire.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5186108000332892978" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 331px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px; TEXT-ALIGN: center" height="320" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_F1LR6ChMyrM/R_jBv8anSzI/AAAAAAAAAAo/67TyykrTREw/s320/Paulo-Freire.jpg" width="352" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;A pedagogia do dominante é fundamentada &lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;em uma concepção bancária de educação.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;Paulo Freire&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Uma das coisas mais paradoxais que existe são Faculdades Privadas posando de societais. Leia-se: acudindo os pobrezinhos e marginalizados da sociedade com projetos de inclusão, reparação, instrução, formação, o que diabo for. É no mínimo falsidade ideológica. Mas existem projetos e projetos. Não quero dizer com isso que não existam trabalhos frutuosos ou sérios. As filantropias estão na moda, e, assim como esta, nem todo mundo sabe como usar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na verdade trata-se de grupos quase carnavalescos – docentes - que pleiteiam adesão de foliões/estudantes para os abadlomas ou diplomadás (uma adaptação grosseira misturando diplomas com abadás, aquelas indumentárias carnavalescas baianas). Montar um projeto desses é quase montar um bloco. Existe todo o aparato: mobilização humana e confecção de veículos e oportunidades - mas no final é só desfile. Tudo lindo, mas é apenas grito de carnaval. Aqueles outros – os pobrecitos de Jesus - gritam em seus vasculhos de desespero, clamando formação ocupacional e a continuidade desta, numa construção global de campos educacionais. É aquela história: todo menino do Pelô sabe tocar tambor, mas não sabe ler.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem financia a sustentabilidade desses projetos? As IES&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn1" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6967722988545203586#_ftn1" name="_ftnref1"&gt;&lt;span style="color:#cc9933;"&gt;[1]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; particulares não o farão, mas bolarão o projeto. Mesmo as grandes empresas não sustentam suas criações, é só observar a situação do Liceu de Artes e Ofício da Bahia, enquanto patrocinado e abandonado por uma grande empresa que financiava sua pers-ex-istência &lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn2" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6967722988545203586#_ftn2" name="_ftnref2"&gt;&lt;span style="color:#cc9933;"&gt;[2&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#cc9933;"&gt;]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="color:#cc9933;"&gt;.&lt;/span&gt; Sabemos as crises dos últimos tempos: estudantes largados no meio de seus trajetos e professores e funcionários com salários atrasados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A casa só cai onde o dono não anda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um grande banco também faz. Há 100 milhões de anos geram sustentabilidade na Cidade de Deus&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn3" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6967722988545203586#_ftn3" name="_ftnref3"&gt;&lt;span style="color:#cc9933;"&gt;[3]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; com vários projetos educacionais. Mas é claro! Uma empresa de lucro bilionário&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn4" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6967722988545203586#_ftn4" name="_ftnref4"&gt;&lt;span style="color:#cc9933;"&gt;[4]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; tem que fazer uma gracinha para justificar o poder de seus juros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daí diversos grupos docentes se organizam para posar de assistentes sociais com fins lucrativos. Tudo isso a fim de justificar seu compromisso e ativismo nas IES particulares onde ensinam. As IES por sua vez sentem-se palosas e elegantes por estar cumprindo com o seu dever. Sentem? Tal qual o padre com sua paróquia, o médico e seu paciente, o marido e sua mulher. A consciência empresarial – se é que existe – agora se processa no sono dos justos, típico dos que foram encostar a cabeça no travesseiro depois do dever cumprido. Será?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Paulo Freire não era um utopista. Imagino que neste momento se revire no túmulo. O que fizeram com a sua Pedagogia do Oprimido grita aos céus. Confundiram vocação social com vocação assistencialista, educação com esmolação. Distorceram tudo em prol de propaganda capitalística e eleitoreira. Trabalharam para soltar o homem, mas não o libertaram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;“O movimento para a liberdade deve surgir e partir dos próprios oprimidos, e a pedagogia decorrente será aquela que tem que ser forjada &lt;strong&gt;com ele&lt;/strong&gt; e não &lt;strong&gt;para ele&lt;/strong&gt;, enquanto homens ou povos, na luta incessante de recuperação de sua humanidade&lt;/em&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn5" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6967722988545203586#_ftn5" name="_ftnref5"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#cc9933;"&gt;[5]&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt;".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Vê-se que não é suficiente que o oprimido tenha consciência crítica da opressão, mas que se disponha a transformar essa realidade. Trata-se de um trabalho de conscientização e politização. Esses trabalhinhos chamados de societais de algumas IES particulares servem apenas para colocar esse outro no lugar dele. Esse outro “pobre” é quase como um índio colonizado. No sistema bancário de Freire, uma vasilha para ser preenchida pelo conhecimento. Não dá pra lavar a vasilha. O coletivismo está mais para semelhança etimológica com a lotação do fim da tarde do que o sentido ético que representa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tão estúpido quanto tudo isso é o programa televisivo da Regina Casé. Aquele que aborda os favelados com o projeto de resgatar ou promover a cultura e artes desses agrupamentos extra-intra-sub-urbanos. Sim, porque a favela quase não faz parte da cidade, ela entra como um adereço igual aquele do carro alegórico da Sapucaí. Nisso as cidades brasileiras são exímias carnavalescas. Pelo programa da Regina parece que existe algum grau de desejabilidade ou conformação do Brasil com as favelas ou com a vida no subúrbio ou periferia imersa nos genocídios, tráficos, precariedade infra-estrutural , oficinas de desmontes, grupos de extermínio dentre outros podres. Mas a produção artística é pautada como linda e maravilhosa. Aliás, a apresentadora em seus coquetéis nada deve ter de suburbana, mas porque está no jogo da aparência, na sujeição do tosco, posa de líder comunitária fingindo que vive na circunstância do pobre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto isso nas FDAPSM - Faculdades Deus me Acuda para Sobreviver no Mercado - se inventa (cata por aí) uma instituição carente pra poder ajudar. Quem sabe assim o pessoal olhe melhor e faça uma caridade de inscrição nos cursos ofertados. Resta apenas uma versão menos idiota do clamor carnavalesco: “bota o pé no chão...”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn1" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6967722988545203586#_ftnref1" name="_ftn1"&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#cc9933;"&gt;[1]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; Instituição de Ensino Superior&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn2" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6967722988545203586#_ftnref2" name="_ftn2"&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#cc9933;"&gt;[2]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; Trabalhadores do Liceu protestam nesta segunda. Disponível em: &lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.atarde.com.br/cidades/noticia.jsf?id=843577"&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#000000;"&gt;http://www.atarde.com.br/cidades/noticia.jsf?id=843577&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;. Acessado em 02 de abril de 2008.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn3" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6967722988545203586#_ftnref3" name="_ftn3"&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#cc9933;"&gt;[3]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; http://wikimapia.org/1247348/pt/&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn4" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6967722988545203586#_ftnref4" name="_ftn4"&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#cc9933;"&gt;[4]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; O Bradesco registrou lucro líquido de R$ 4,007 bilhões no primeiro semestre de 2007, valor 27,9% maior em relação aos primeiros seis meses do ano anterior e o maior na história do banco para o período. Fonte: &lt;/span&gt;&lt;a href="http://noticias.uol.com.br/ultnot/efe/2007/08/06/ult1767u99520.jhtm"&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#000000;"&gt;http://noticias.uol.com.br/ultnot/efe/2007/08/06/ult1767u99520.jhtm&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;.&lt;/span&gt; Acessado em 03 de abril de 2008 &lt;/span&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn5" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6967722988545203586#_ftnref5" name="_ftn5"&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#cc9933;"&gt;[5]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. 15. ed. São Paulo : Paz e Terra, 2000.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6967722988545203586-5203438006273017436?l=philosofurria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://philosofurria.blogspot.com/2008/04/favelinhas-educacionais.html</link><author>dudabastos@yahoo.com (Duda Bastos)</author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_F1LR6ChMyrM/R_jBv8anSzI/AAAAAAAAAAo/67TyykrTREw/s72-c/Paulo-Freire.jpg' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>6</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-6967722988545203586.post-6892663883243975901</guid><pubDate>Sun, 30 Mar 2008 22:08:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-12-11T05:04:18.896-08:00</atom:updated><title>Elomar, aquele grande país.</title><description>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_F1LR6ChMyrM/R_AU4sanSyI/AAAAAAAAAAg/hP6o8jZf8Wk/s1600-h/elomar.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5183666135331457826" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_F1LR6ChMyrM/R_AU4sanSyI/AAAAAAAAAAg/hP6o8jZf8Wk/s320/elomar.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;As canções do Sertão Profundo de Elomar Figueira Mello.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Apresentação para o Curso de Letras da UNIME – Lauro de Freitas, 30 de outubro de 2007. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;Próximo ao átrio receptivo da Casa dos Carneiros, pelo qual se chega através de uma rampa, está a Sala Dos 7 Candeeiros. Hoje, um pequeno teatro para 200 convivas que se abre em meio a um local “perdido”, deslocado dos circuitos culturais de qualquer centro urbano. A Casa dos Carneiros fica num povoado chamado Gameleira, localizado a 19 km de Conquista. Um ambiente roçaliano, seco, áspero nessa quadra de outubro. Uma locanda envolta em pó e fumaça de lenha. Bonitos, os candeeiros dispostos nas paredes - seis dentro e um fora - completam a mística daquela canção: “Lá na Casa dos Carneiros, sete candeeiros iluminam a sala de amor. Sete violas em clamores, sete cantadores, são sete tiranas de amor, para amiga em flor que partiu e até hoje não voltou&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn1" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6967722988545203586#_ftn1" name="_ftnref1"&gt;&lt;span style="color:#cc6600;"&gt;[1]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;”. Para quem conhece e chega, abre-se um portal atávico. Pirimpilhação de estesias. Para quem não o sabe, não existe catarse. O anfitrião, já fora das horas mortas&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn2" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6967722988545203586#_ftn2" name="_ftnref2"&gt;&lt;span style="color:#ff9900;"&gt;[2]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;, degusta café e pão. Sinal de que cheguei atrasado. Em seguida não demora a contação de histórias começar, e notícias de outras sendas são permitidas numa troca aprazível de saberes e novidades. Fico impressionado com o cuidado e amor na construção do teatro. No sonho do Bode, como o chamo carinhosamente, ele acorda espetáculo. Embora rejeite a exploração de sua imagem, se permite a câmara cênica para performances. Vou e volto em circunstâncias e a imagem que me toma é cheia de reverberação, nas histórias do cancioneiro Elomariano. Aquela acústica teatral cria e dispersa sonidos, e, logo testo o ambiente, a pedido do próprio Elomar. Ele fica paloso em reconhecimento ao seu grandioso artefato, ao templo da cantoria que torreou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perto dali, longe de qualquer razão mercadológica, Elomar refugia-se para distante dos olhares e companhias desnecessárias. Sua economia parece muitas vezes, segundo Jerusa Pires Ferreira, ser uma vingança ao próprio corpo. Talvez. Todo artista traz sua parcela de vaidade e os anos são como lâminas a lhes cortar. Ferido, fica-se exposto nas rugas difíceis. Mas encontro nesse fato do meso-exílio desse cantador, a presença cavalheiresca que precisa ser visitada. E eu preciso visitá-lo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ouvir Elomar é sentir algo afogado na ninguendade&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn3" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6967722988545203586#_ftn3" name="_ftnref3"&gt;&lt;span style="color:#ff9900;"&gt;[3]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="color:#ff9900;"&gt;.&lt;/span&gt; Não é música brasileira. É dramático e impossível de territorialidade. Ele inteira um país. Como o Vaticano dentro da Itália. A MPB ou variações dos títulos para a música brasileira, de acordo com o texto academicamente instituído como brasileiro, não encontra enunciados na sua musicalidade e poética. Não me parece de lugar algum. Elomar não tem a cara do “nacional”, de baluarte da pátria ou coisa parecida. Nem tão pouco o estandarte da música regional. Mesmo porque o regional, visitando Bourdier&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn4" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6967722988545203586#_ftn4" name="_ftnref4"&gt;&lt;span style="color:#ff9900;"&gt;[4]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="color:#ff9900;"&gt;,&lt;/span&gt; é um terreno perigoso, que traz mais ficção que visibilidade. Aliás, que visível? E esse negócio de cultura regional, música de raiz nem existe (como sempre, isso é outro assunto). Mas o que é então?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É sertão profundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma concórdia para além dos costumes, cultura rural ou saberes lingüísticos. Panacéia de memórias esparsas no tempo e lugar. O sertão profundo é mundo filosófico, outro fulgurado por um sol diferente. É a impossibilidade metafísica do desprendimento, são altitudes poéticas e musicais que se abrem em resultantes. As obras de Elomar não são resultados de alguma cultura específica, mas de algo que vem de longe, de outras quadras, de outra física e atravessa o corpo inteiro do artista. Algo que não vem da paisagem, na idéia de Merleau Ponty&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn5" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6967722988545203586#_ftn5" name="_ftnref5"&gt;&lt;span style="color:#ff9900;"&gt;[5]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="color:#ff9900;"&gt;,&lt;/span&gt; mas a ela se mistura e completa. A constelação do habitat traz a cultura rural para Elomar, este se reveste do sertânico e a produção artística passeia pelas palavras e linguagens dialetais. Recebe as doses de nordestinidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo acidente de percurso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O idioma sertanês – em suas múltiplas variações do português - apresenta-se como elã na construção do inteligível, na afirmação de labirintos dos versos: “(...) i antes ofreceu o mote, pro saco do saqué, e o cassote c´u pote deixo o quati só cu´a fé de qui dent´o do tal pote inda tinha algum café (...)&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn6" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6967722988545203586#_ftn6" name="_ftnref6"&gt;&lt;span style="color:#ff9900;"&gt;[6]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;”. Tudo isso para não ser descoberto facilmente, pra ficar ali escondidinho, vendo o romper gota a gota, da arte profética, sertaneza, escatológica e bela. Para poucos, bem poucos. Distante das esquizofrenias capitalísticas – nem por isso alheio ao metal. Não cede, não empresta, nem vibra com “urbanóides&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn7" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6967722988545203586#_ftn7" name="_ftnref7"&gt;&lt;span style="color:#ff9900;"&gt;[7]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;”. Tem alma boêmia e se refaz em alegria contando histórias que lembram mais o Pantaleão de Chico Anísio que as invenções de vaqueiros e comadres da caatinga. Não entende a indústria da cultura artística e não faz pacto com os lobos. Mas se apresenta telúrico, capitão, príncipe, vaqueiro na roupagem de música lúgubre e por demais épica, ofertando generosamente o seu imaginário e causos com ciganos. Ergo todas essas idéias com uma xícara de café forte. As horas arrematam o tempo, que passa lamentavelmente. Mas no cair da noite, lá na Casa dos Carneiros, sete candeeiros iluminam a sala de amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn1" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6967722988545203586#_ftnref1" name="_ftn1"&gt;&lt;span style="font-size:78%;color:#ff9900;"&gt;[1]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt; Cantiga de Amigo. Letra e música de Elomar Figueira Mello. Presente no CD Das barrancas do Rio Gavião. Direção de Produção: Roberto Santana. Apresentação de Vinícius de Moraes. [S.l.]: Philips, 1973. 1 CD. Distribuído pela Polygram.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn2" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6967722988545203586#_ftnref2" name="_ftn2"&gt;&lt;span style="font-size:78%;color:#ff9900;"&gt;[2]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt; As horas da morte de Jesus Cristo, entre 15h00 e 17h00 da tarde.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn3" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6967722988545203586#_ftnref3" name="_ftn3"&gt;&lt;span style="font-size:78%;color:#ff9900;"&gt;[3]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt; RIBEIRO, Darcy. O Povo brasileiro: a formação e o sentido do Brasil.&lt;br /&gt;São Paulo: Companhia das Letras, 2006.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn4" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6967722988545203586#_ftnref4" name="_ftn4"&gt;&lt;span style="font-size:78%;color:#ff9900;"&gt;[4]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt; BOURDIEU, Pierre. O poder simbólico. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2005.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn5" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6967722988545203586#_ftnref5" name="_ftn5"&gt;&lt;span style="font-size:78%;color:#ff9900;"&gt;[5]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style="color:#ff9900;"&gt; &lt;/span&gt;PONTY, Maurice Merleau-. Fenomenologia da Percepção. São Paulo: Martins Fontes, 2006.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn6" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6967722988545203586#_ftnref6" name="_ftn6"&gt;&lt;span style="font-size:78%;color:#ff9900;"&gt;[6]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt; Desafio, presente no CD : MELLO, Elomar;MARQUES, Dércio; XANGAI, Eugênio Avelino. Auto da Catingueira. Manaus: Sonopress 1984a. 2 CDs. Editora e Gravadora Rio Gavião.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn7" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6967722988545203586#_ftnref7" name="_ftn7"&gt;&lt;span style="font-size:78%;color:#ff9900;"&gt;[7]&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt; Urbanóides são, de acordo com Elomar, os cidadãos que vivem na Urbis&lt;br /&gt;e discriminam as culturas campestres.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6967722988545203586-6892663883243975901?l=philosofurria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://philosofurria.blogspot.com/2008/03/elomar-aquele-grande-pas.html</link><author>dudabastos@yahoo.com (Duda Bastos)</author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_F1LR6ChMyrM/R_AU4sanSyI/AAAAAAAAAAg/hP6o8jZf8Wk/s72-c/elomar.jpg' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>8</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-6967722988545203586.post-5317096288297853305</guid><pubDate>Sun, 23 Mar 2008 16:33:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-03-23T11:55:29.625-07:00</atom:updated><title>O amor é um movimento de contra si</title><description>&lt;strong&gt;“O amor é um movimento de contra si (...) vai de encontro à vontade choramingosa de ser amado, que nos conduz, todos, ao psicanalista.”&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Gilles Deleuze&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Existem razões para ter cuidado com o que se trata por amor. Tido como sentimento, esta ação/sensação humana, pode revestir-se de uma faceta para justificar mobilização em prol de afetos e luxúrias. De fato, o amor nada tem a ver com delicadezas enfadonhas dos temas periodistas das novelas ou das canções. Embora não se abstenha de atividades da libido. Tais delicadezas podem ser belas e traduzíveis como amor, mas certamente é paixão, algo menos relutante que esse amor, embora, a princípio, muito mais empolgante .&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O amor é outra coisa, com toda expansividade dessa outridade. Importa a necessidade que não incomoda e a inexistência de objetividade na busca. Assim o é e pronto. Não existe razão concreta pelo desejado nem tão pouco uma dependência ensandecida pelo suporte do amado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O humano deseja ser amado. Mas de que isso se trata? Por que a necessidade é a busca ou a razão da busca pelo amor?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O amor não é obviamente amor. Amor é amar na partida contínua pela outridade e todo seu entorno. O amor não é ser amado, é também. Não há solidão em amar, assim como não há tristeza. O amor que dói não é amor. É outra coisa, talvez uma circunstância de flagelo em vista de sensações perdidas, em grande parte despertada pelo desejo humano de saciar sua margem de prazer. A isso se chama paixão. Larossa Bondía inclui que na paixão se dá “uma tensão entre liberdade e es&amp;shy;cravidão (...) uma tensão entre prazer e dor, entre felicidade e sofrimento, no sentido de que o sujeito apai&amp;shy;xonado encontra sua felicidade ou ao menos o cumprimento de seu destino no padecimento que sua paixão lhe proporciona”. É importante ressaltar que o autor se refere nesse instante a experiência com o amor, algo que a paixão, em seu caráter de essências não proporciona. Em grande parte pela absoluta falta de tempo, em que se faz necessário o desenrolar de uma experiência, já que toda paixão faz-se instantânea.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não há solidão em amar, assim como não há tristeza. Parece que ao amar o desejo pelo ser amado é reconstruído e não há nenhuma perda ou vazio. A paixão é o prejuízo de quem se escraviza à necessidade contínua por recebê-la. Tristezas nascem pela ausência do amor. A liberação desenfreada da condição do amor é a propriedade mais humana que existe, depois talvez se posicionem ódio, raiva, rancor, mágoa e etc. Embora, a mola mestra seja a dor e não o amor a mover o mundo humano. Mas isso é outro assunto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amor implica na valorização da existência em seus aspectos de humorismo e do bem-estar (felicidade e paz). É o projeto de ações interiores em direção as expectativas desenfreadas sobre o bem. No “bem” cabe todas as realidades e circunstâncias animadoras da vida, cabe o olhar descamado sobre o projeto interessante que é viver, com suas dores e prazeres, infernos e paraísos. Não se trata, tudo isso, de certa expectativa ingênua, mas de alertar-se constante para o bem e para a referência do amor, na direção de atos e pensamentos amorosos. Atos que são práticas de raciocínios, posicionamentos, ética e afetos em direção ao outro humano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esperar pelo amor parece vivenciar a sinistra expectativa da dúvida ou do atraso, numa colaboração angustiante com algo insuficiente. De certa forma, o amor parece desmantelar nossos poderes interiores de auto-suficiência e indiferença ao conjunto do ser amado. Um estratagema para uma vida de coisas mais clandestinas, mais alegres, fora das concessões e condições que impedem o amar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6967722988545203586-5317096288297853305?l=philosofurria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://philosofurria.blogspot.com/2008/03/o-amor-um-movimento-de-contra-si.html</link><author>dudabastos@yahoo.com (Duda Bastos)</author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>22</thr:total></item></channel></rss>